Ex-ministro da Defesa acusa Chávez de violar Constituição

Agência ANSA

CARACAS - O ex-ministro da Defesa da Venezuela Raúl Isaías Baduel acusou nesta terça-feira o presidente Hugo Chávez de "violar" a Constituição do país ao permitir que o território venezuelano seja utilizado para manobras da Força Aérea russa.

No último sábado, Chávez anunciou oficialmente que disponibilizaria uma base aérea situada na ilha de La Orchila, no mar do Caribe, para abrigar aeronaves militares russas.

Baduel explicou que a postura do governo poderia ser considerada uma violação da Carta Magna no que diz respeito à cessão do território venezuelano, ainda que temporariamente, para que outro país opere aviões e navios de uso militar.

- Nosso país pode ser levado a instâncias internacionais, justamente porque é signatário de acordos sobre o tema - destacou ele em entrevista à rádio Unión.

O ex-ministro afirmou que Chávez está envolvendo a Força Aérea venezuelana em seus planos de maneira deliberada, apropriando-se de uma instituição que deveria estar "a serviço da nação" para criar "um clima de terror e de medo".

Segundo Baduel, o presidente se preocupa muito em mostrar que a Venezuela "está ameaçada pelo império", em vez de buscar resolver os problemas internos do país.

No ano passado, as Forças Armadas de Venezuela e Rússia realizaram exercícios conjuntos no Mar do Caribe. A parceria chamou a atenção do governo dos Estados Unidos, que atenta para o crescimento da influência de Moscou sobre a América Latina.

No fim de semana, Chávez também ordenou a ocupação de portos e aeroportos do país, que até então estavam sob responsabilidade de administrações regionais.

A medida faz parte da reversão parcial da Lei de Descentralização. A mudança na norma, aprovada pelo Legislativo, dá ao governo federal poder para assumir o controle do aparato de infraestrutura. A oposição alegou inconstitucionalidade e prometeu recorrer à Justiça.

Os maiores portos da Venezuela estão em departamentos (estados) governados pela oposição: Zulia, Carabobo e Nova Esparta.