Vergonha de falar em saneamento impede avanços, dizem ONGs

REUTERS

ISTAMBUL - A vergonha de discutir francamente as necessidades de saneamento básico está prejudicando o desenvolvimento e contribuindo para que um em cada cinco seres humanos viva sem meios dignos de se aliviar, disse um grupo de ativistas de ONGs nesta segunda-feira.

Falando no primeiro dia do Fórum Mundial da Água, em Istambul, os ativistas alertaram para os riscos sanitários da defecação a céu aberto, que continua sendo comum em muitas áreas, e salientaram que cada dólar gasto na abertura de latrinas ou na construção de esgotos acaba poupando US$ 9 em gastos hospitalares e em prejuízos resultantes do absenteísmo dos doentes.

- Coisas que não têm nome, coisas das quais não falamos não existem para os políticos - disse a política alemã Uschi Eid.

- Mulheres e meninas têm de levantar antes do amanhecer e defecar no escuro nos campos ou nos trilhos de trem, colocando-se sob o risco de ataques, enquanto em áreas densamente povoadas as pessoas defecam em sacos plásticos e então os atiram nos rios - acrescentou.

Cerca de 1 bilhão de pessoas não têm acesso a água potável, e cerca de 2,5 bilhões vivem sem saneamento básico. Segundo dados da ONU, em 2002 mais de 3,5 milhões de mortes puderam ser atribuídas a problemas com a água, o saneamento e a higiene. Cerca de 94% dos casos de diarreia, doença que mata mais de 1,4 milhão de crianças por ano, são evitáveis.

Em 2002, foi acrescida às chamadas Metas do Milênio a meta de reduzir pela metade até 2015 o número de pessoas sem saneamento. A ausência dessa entre as metas originais, lançadas no ano 2000, mostra como a questão costuma ficar em segundo plano no debate público.

Os ativistas defenderam banheiros mais reservados e dignos, e salientaram como as mulheres, sendo as principais responsáveis por levar água para casa nos países em desenvolvimento, e também pela higiene e saúde das famílias, devem estar plenamente envolvidas na questão.