tália pede fim do direito a veto na ONU para questões humanitárias

Agência ANSA

NOVA YORK - A Itália propôs nesta segunda-feira, durante uma reunião da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) para discutir a reforma em seu Conselho de Segurança, a extinção do poder de veto para questões como genocídios e intervenções humanitárias.

- A questão do poder de veto não pode ficar de fora da reforma no Conselho de Segurança - afirmou Giulio Terzi, embaixador da Itália junto à ONU.

Atualmente, a entidade analisa alterar a composição de seu Conselho de Segurança, hoje formado por 15 membros, sendo cinco permanentes (e com direito a veto) e 10 rotativos, cujos mandatos são temporários e têm duração de dois anos. Os assentos permanentes pertencem a Estados Unidos, Inglaterra, França, Rússia e China.

Tal configuração, resultado do status das relações internacionais em 1945, ano em que foi criada a ONU, é tida hoje como obsoleta ante o surgimento de outros atores importantes no cenário global.

- É preciso agir com realismo e trabalhar para uma reforma do poder de veto que suspenda sua aplicação em casos de genocídios ou intervenções humanitárias - enfatizou Terzi.

A extinção do direito a veto enfrenta a total oposição dos cinco países que o detêm. Por outro lado, quase todos os demais representantes das 192 nações associadas à ONU manifestaram apoio à medida.

Terzi lembrou que o fim do veto é uma reivindicação que tem o respaldo de países africanos, e que a Itália "compreende o pedido" de extingui-lo, já que sua existência contrasta "com a exigência de representatividade e eficácia" que deve haver no Conselho de Segurança.

O representante sugeriu ainda que a mudança faça parte de uma complexa reforma do órgão, na qual as questões das novas sedes e da dimensão regional também "estejam todas interligadas".

O Brasil tem grande interesse pela reforma do Conselho, já que deseja ocupar um assento permanente no órgão.

A diplomacia do país tenta se associar a nações que têm o mesmo objetivo, como Alemanha, África do Sul e Índia (com as quais forma o chamado G4), e trabalha para conquistar o apoio do bloco africano, que conta com 53 países.

Para que seja implementada, uma reorganização no Conselho de Segurança precisa ter o aval de 128 países, o equivalente a 2/3 dos 192 sócios da ONU.