Relações Exteriores pode ser ocupada por extrema direita em Israel

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JERUSALÉM - O líder ultradireitista Avigdor Lieberman pode se tornar chanceler de Israel caso entre em vigor a coalizão aceita por ele com o primeiro-ministro-designado Benjamin Netanyahu, disse uma porta-voz de Lieberman na segunda-feira.

O acordo preliminar fechado na noite de domingo com o partido Yisrael Beitenu (Nosso Lar É Israel) representa o primeiro passo de Netanyahu para formar um governo de direita - o que pode gerar atritos com o governo norte-americano, maior aliado de Israel no mundo, que no entanto deseja a criação de um Estado palestino.

O acordo, ainda sujeito a possíveis pactos com outros partidos, inclusive o centrista Kadima, daria o controle das Relações Exteriores a Lieberman, um imigrante russófono da Moldova (ex-URSS), cuja retórica é considerada antiárabe por muitos.

Seu partido ocuparia quatro outras pastas, inclusive a de Segurança Interna, segundo Irena Ettinger, porta-voz de Lieberman,

Mesmo unidos, os partidos Likud, de Netanyahu, e Yisrael Beitenu precisariam do apoio de outras agremiações para assegurar a maioria entre os 120 deputados do Knesset. Israel aguarda a formação do governo desde a eleição de 10 de fevereiro, na qual houve um virtual empate entre Netanyahu e Tzipi Livni, do Kadima. Lieberman fez a terceira maior bancada.

O Yisrael Beitenu defende que, num eventual processo de paz com os palestinos, haja uma troca de terras hoje habitadas por árabes- israelenses pelos assentamentos judaicos da Cisjordânia.

Lieberman também defende medidas para que todos os israelenses, inclusive os de origem árabe, tenham de declarar lealdade a Israel para manter sua cidadania.

Netanyahu, encarregado pelo presidente Shimon Peres de tentar formar o governo, tem até 3 de abril para fazê-lo.

O eventual premier - que já ocupou o cargo entre 1996 e 99, período em que manteve atritos com o governo norte-americano de Bill Clinton - diz que pretende dar menos ênfase à criação de um novo Estado e mais à recuperação econômica dos palestinos, uma estratégia que os próprios palestinos rejeitam.

Apesar do acordo com Lieberman, os deputados de Netanyahu mantêm as negociações com o Kadima, para tentar ampliar a futura base governista. O partido de Livni elegeu 27 deputados, um a mais que o Likud.

Para aderir ao novo governo, Livni, atual chanceler, exige que Netanyahu se comprometa com a tese norte-americana de que deve haver um Estado palestino. Ela também reivindica um rodízio entre ela e Netanyahu no cargo de primeiro-ministro.