Presidente do Sudão recusa ajuda e 1 milhão podem ficar sem comida

Jornal do Brasil

SUDÃO - O presidente do Sudão, Omar al Bashir, afirmou nesta segunda-feira que, no prazo de um ano, as agências internacionais humanitárias estão impedidas de distribuir a ajuda destinada a este país. Segundo estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU), mais de 1 milhão de pessoas podem ficar sem comida caso as organizações deixem de atuar no empobrecido país.

Ordenei ao Ministério de Assuntos Humanitários que 'sudanize' todas as agências de assistência no Sudão dentro de um ano afirmou o governante em cerimônia com chefes militares e policiais.

O líder afirmou ainda que, depois desse prazo, nenhuma organização internacional distribuirá ajuda aos cidadãos do Sudão .

A medida foi anunciada 12 dias depois de Omar al Bashir expulsar cerca de 10 organizações de ajuda, nacionais e internacionais, do país, em retaliação à ordem de detenção emitida contra ele pelo Tribunal Penal Internacional (TPI).

O presidente está sendo julgado por crimes de guerra e de lesa-humanidade cometidos no conflito armado de Darfur, onde especialistas dizem que nos quase seis anos de conflito 200 mil pessoas foram mortas e outras 2,7 milhões tiveram de sair de suas casas.

Ele acusou as ajudas de assistência estrangeiras de roubar o dinheiro oferecido pelos países doadores e destinado ao Sudão. Antes da expulsão, a ONU e outros grupos realizavam o maior programa de ajuda humanitária do mundo na região. A partir de agora, as agências de assistência devem deixar os alimentos no aeroporto, para que as organizações sudanesas distribuam.

Pronunciamento

Omar al Bashir fez o anúncio em discurso que pronunciou em cerimônia no sul da capital com chefes do Exército e da polícia, como parte de seus contatos com representantes de todos os setores após a decisão anunciada pelo TPI. Bashir não fechou a porta totalmente a todas as agências internacionais de assistência, mas deixou claro que a ajuda em comida ou remédios só será distribuída por organizações locais.

Aquelas (organizações) que cumprirem as leis do país serão bem-vindas e aquelas que quebrarem a lei serão expulsas acrescentou o governante.