Nos EUA, Lula parabeniza presidente eleito de El Salvador

Agência ANSA

NOVA YORK - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que visita os Estados Unidos, cumprimentou nesta segunda-feira o presidente eleito de El Salvador, Mauricio Funes, da oposicionista Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional (FMLN).

Em Nova York, ao discursar em um seminário empresarial, o presidente disse que a América Latina e a América do Sul estão passando por renovações políticas jamais vistas em sua história.

Lula se referiu a Funes, que durante a campanha citava o brasileiro como fonte de inspiração política, como um "grande companheiro", que conhece há muitos anos.

O presidente também elogiou a democracia de El Salvador, país que viveu uma guerra civil durante 12 anos, entre 1980 e 1992. A FMLN, partido de Funes, tem origem em um movimento guerrilheiro de esquerda que atuou no período.

- Acabou o tempo da Guerra Fria. Acabou o tempo da luta armada, é tempo de democracia - disse Lula.

O candidato da oposição foi eleito ontem com 51,27% dos votos, pondo fim a duas décadas de governo da Aliança Republicana Nacionalista (Arena), representada nas urnas por Rodrigo Ávila.

Nesta segunda-feira, Funes recebeu cumprimentos de outros chefes de Estado latino-americanos, entre eles os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, da Colômbia, Álvaro Uribe, de Honduras, Manuel Zelaya, e também de seu país, Antonio Saca.

Durante um breve telefonema, Uribe afirmou que El Salvador "passou de um momento de violência destruidora a um momento de democracia que o mundo inteiro celebra". O presidente colombiano, que está em Honduras para inaugurar uma fábrica de biocombustíveis, parabenizou o povo salvadorenho por um "processo histórico".

Zelaya, por sua vez, ressaltou que a vitória da FMLN representa o fortalecimento da democracia centro-americana.

- Uma organização que antes havia recorrido às armas para mudar o sistema hoje escolhe o sistema democrático representativo, de soberania popular das maiorias, para conseguir um movimento de transformação - disse o presidente de Honduras.

Mais cedo, em uma nota oficial, Chávez cumprimentou Funes e afirmou que seu triunfo foi uma derrota da "campanha de mentiras, porcarias e manipulações" da direita salvadorenha.

- Esta vitória consolida a corrente histórica que, na primeira década do século XXI, levantou-se em toda a América Latina e no Caribe, e abre as portas a outros povos irmãos nos desafios que têm adiante - diz o texto.

Durante a campanha, a Arena tentou vincular a imagem de Funes à de Chávez, sob o argumento de que uma vitória da FMLN levaria o país a aderir ao projeto bolivariano do venezuelano.