Austríaco que pode ter feito 7 filhos na própria filha nega homícidio

Jornal do Brasil

SANKT PÖLTEN - Acusado de aprisionar a própria filha em um porão por 24 anos e tê-la estuprado repetidamente prática que resultou em sete filhos o austríaco Josef Fritzl, de 73 anos, declarou-se culpado por incesto, mas insistiu ser inocente das acusações de assassinato e escravidão.

Em julgamento que teve início nesta segunda-feira e vai até quinta-feira, Fritzl, com um paletó cinza e o rosto escondido por um fichário azul que carregava com as mãos trêmulas, entrou na sala da Audiência Provincial de Sankt Pölten, em sua primeira aparição pública desde que foi detido em abril, depois de o caso vir à tona. Falando em voz quase inaudível, o réu insistiu ser apenas parcialmente culpado por estupro e coerção, e inocente das acusações de homicídio culposo e escravidão.

A promotoria acusa o austríaco de ter aprisionado e estuprado repetidamente a filha Elisabeth em um porão sem janelas, localizado na parte subterrânea da casa onde Fritzl vivia com a esposa, que afirmou nunca ter sabido de nada.

De acordo com investigadores, testes de DNA comprovam que Fritzl teve seis filhos com Elisabeth, além de um sétimo que teria morrido logo após o nascimento. A Justiça baseia a acusação de homicídio na morte do bebê, alegando que Fritzl não quis socorrer a criança.

Julgamento

Além das acusações de estupro e assassinato, a promotora Christiane Burkheiser disse que Fritzl não falava com sua filha durante os primeiros anos de aprisionamento, e apenas descia ao porão para estuprá-la.

Josef Fritzl usou sua filha como se fosse sua propriedade disse.

A promotora lembrou que o local era carente de luz não existia a luz do dia onde Elisabeth ficou aprisionada e incrivelmente úmido . A eletricidade teria sido cortada uma vez para punir a filha.

No banco dos réus, o aposentado escutou a folha de acusações contra si, que podem custar a ele a sentença de prisão perpétua.

O advogado de defesa Rudolf Mayer pediu que a promotora não se deixasse levar pelas emoções e declarou que Fritzl não é um monstro . Disse que, se seu cliente tivesse buscado só satisfação sexual, não teria tido filhos com Elisabeth e teria, em vez disso, matado todos eles.

Diante das acusações, Fritzl contou que foi várias vezes agredido pela mãe durante a sua duríssima infância e não tinha amigos. Aos 12 anos de idade, contou, começou a se defender das agressões da mãe:

A partir desse momento virei um demônio para ela disse sobre sua mãe que morreu após ficar enclausurada durante anos no piso superior da sua casa, cujas janelas foram tapadas para que não pudesse ver a luz do sol.