Chávez pode responder militarmente à eventual incursão colombiana

Agência AFP

CARACAS - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, advertiu neste domingo que responderá com seu arsenal de guerra a uma eventual incursão militar da Colômbia em seu território, em perseguição a guerrilheiros, ao rechaçar declarações do ministro colombiano da Defesa, Juan Manuel Santos.

- Lamentavelmente, com toda a dor de minha alma, mandaria imediatamente prender os aviões Zucoy e os tanques de guerra, mas a soberania, a dignidade da Venezuela não vou permitir que sejam desrespeitadas por nada no mundo - disse Chávez em seu programa semanal de televisão 'Alô, presidente'.

Chávez disse que Santos representa uma "ameaça para a paz da América do Sul" e o acusou de querer "transformar a Colômbia no Israel da América Latina", afirmando ter tratado do assunto por telefone com o colega colombiano Alvaro Uribe.

- Falei ontem (sábado) com o presidente Uribe para confirmar que não queremos conflitos com a Colômbia - informou Chávez em sua primeira alusão ao tema, depois de a chancelaria venezuelana ter rejeitado as declarações do ministro na terça-feira passada.

- Cuidado, presidente Uribe com esta corrente de extrema-direita, porque não quero nem pensar que ocorra com o ministro Santos de fazer uma loucura, acontecendo com a Venezuela o mesmo que foi feito com o Equador - acrescentou, destacando que Santos foi declarado "inimigo" de seu país.

O ministro havia defendido como um "direito de legítima defesa" atacar "terroristas que estivessem sistematicamente atentando contra a população de um país, mesmo fora de seu território", em entrevista concedida no dia 1 de março ao jornal El Tiempo.

O funcionário evocava a incursão há um ano no Equador, quando tropas colombianas atacaram um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias (Farc) matando vinte pessoas, entre elas o número dois guerrilheiro, Raúl Reyes.