Mulheres avançam e conquistam espaço na política internacional

Joana Duarte, Jornal do Brasil

RIO - Hillary Clinton, Angela Merkel, Cristina Kirchner e Michelle Bachelet subverteram os estereótipos machistas mostrando que, talvez, os homens estivessem certos, afinal o lugar da mulher é em casa... Na Casa Branca americana, na Casa Rosada argentina, no Palácio de La Moneda chileno e na Chancelaria Federal alemã. Costelas de Adão, tornaram-se hoje chefes de governo, braços fortes, punhos de ferro.

Ainda assim, não vivemos uma realidade em que o feminismo seja triunfante, opina Michael Shifter, professor do think tank Inter-American Dialogue e professor de estudos latino-americanos na Universidade de Georgetown, em Washington D.C..

Seria ingenuidade achar que as atitudes machistas desapareceram. Os estereótipos persistem, até mesmo quando as figuras públicas, de um modo geral adeptas do politicamente correto, têm mais cuidado em invocá-los em alta voz.

Para a a feminista Hillary Lips, professora de estudos sobre a mulher na Universidade de Radford, os desafios enfrentados pela atual secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, ilustram bem essa dificuldade.

Hillary sempre foi criticada por ser dura demais, não ser feminina o suficiente, não usar roupas adequadas ou não manter um penteado agradável.

Uma das mulheres mais admiradas por Hillary Clinton é a presidente do Chile, Michelle Bachelet. Em carta publicada pela Time Magazine logo após Michelle anunciar sua candidatura, em 2004, Hillary ressaltou sua coragem, qualficando suas conquistas como maravilhosas e inspiradoras .

Em 2006, ainda durante a campanha presidencial, Bachelet costumava dizer: Incorporo todas as sinas juntas. Sou mulher, socialista, separada e agnóstica . Hoje, apesar dos desafios, seu índice de aprovação alcançou 58,5%, segundo uma pesquisa da empresa de consultoria Adimark Gfk.

Como Hillary, a também ex-primeira-dama Cristina Kirchner foi eleita presidente da Argentina no dia 27 de novembro de 2007, vencendo no primeiro turno com larga vantagem sobre seus adversários. Segunda mulher eleita para o cargo no país a primeira foi Isabelita Perón Cristina assumiu o posto no lugar do marido, Néstor Kirchner.

Segundo Pablo Lacoste, cientista político da Universidade de Santiago do Chile, Kirchner representa uma típica lider populista sulamericana, que se apoia em seu carisma pessoal e na aliança com o proletariado de Buenos Aires. Em contraste, Lacoste vê Bachelet como uma democrata muito mais institucional, que governa com mais harmonia com outras instituições governamentais e com os sindicatos.

Cristina tem maiores conflitos com todos observa Lacoste. Bachelet vem de uma escola política de respeito pelas instituições, uma escola que o Chile construiu nos últimos 200 anos. Na Argentina, as instituições são mais débeis, houve muitos conflitos, muitos golpes e muito populismo.

Embora Cristina admire e goste de ser comparada a Hillary Clinton, Lacoste sugere que há um abismo de diferença entre as duas.

Hillary fala com muita precisão e tem uma formação acadêmica extraordinária, enquanto Cristina, bem, seu paradigma é Eva Perón. Ela tenta imitá-la no timbre de voz e nos conceitos que usa. Seu estilo é grandiloquente e excessivo.

A primeira mulher a ocupar o cargo de chanceler alemã, Angela Merkel, eleita em novembro de 2005, é conhecida como a dama de ferro, em referência à primeira-ministra britânica Margaret Thatcher.

Os instintos políticos de Angela Merkel são bem afiados elogia Gerd Languth, professor de ciências políticas da Universidade de Bonn e autor da biografia de Angela. Durante seus primeiros meses no cargo, ela obteve um índice de cerca de 85% de aprovação, e continua sendo bastante popular com o eleitorado porque se mostrou uma mulher pragmática.