Irã pede ao mundo muçulmano que se una à resistência palestina

Agência AFP

TEERÃ - O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, pediu nesta quarta-feira ao mundo muçulmano que se some à resistência palestina contra Israel, no discurso de abertura da cúpula internacional de dois dias organizada por Teerã para arrecadar dinheiro para Gaza.

- A única forma de salvar a Palestina é a resistência. Não vamos salvar a Palestina mendigando nas Nações Unidas - declarou Khamenei, depois de chamar Israel de 'tumor cancerígeno'.

Khomeini também disparou contra o presidente americano, Barack Obama, acusando-o de sair 'em defesa do terrorismo governamental' de Israel, apesar de suas promessas de mudança política.

Além disso, disse ser um erro o fato de que 'um país chamado Israel seja uma realidade de 60 anos que deve ser aceita. Outro erro é dizer que a única forma de salvar os palestinos é através da negociação'.

O aiatolá, principal autoridade do Estado iraniano, voltou a defender a volta de todos os refugiados palestinos, seguida de um referendo para decidir sobre o futuro do território israelense.

- Apoiar e ajudar os palestinos é um dever imperativo de todos os muçulmanos - afirmou ainda, pedindo que os dirigentes israelenses sejam julgados pela recente ofensiva em Gaza, na qual morreram mais de 1.300 palestinos e 13 israelenses.

O presidente iraniano, o ultraconservador Mahmud Ahmadinejad, também falou durante a sessão inaugural, quando reiterou o pedido de formar uma 'frente global antissionista e castigar seriamente os criminosos sionistas'.

A conferência coincide com a primeira visita ao Oriente Médio da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, que já se reuniu com os líderes de Israel e nesta quarta-feira se encontrará em Ramallah, Cisjordânia, com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, e o primeiro-ministro Salam Fayyad.

Na terça-feira, Clinton afirmou em Israel que uma 'solução de dois Estados' era 'inevitável'. Abbas, por sua vez, criticou o apoio iraniano ao Hamas.

- Enviamos uma mensagem ao Irã: parem de se meter em nossos assuntos - declarou o presidente palestino, que pertence ao movimento Fatah.

O Irã, porém, não reconhece Israel, e Khameini já reiterou em várias ocasiões sua total recusa à solução de dois Estados para resolver o conflito israelense-palestino.

A cúpula de Teerã também acontece dois dias depois de outra reunião de doadores internacionais no Egito, na qual foram prometidos 4,5 bilhões de dólares para a reconstrução de Gaza.

O Irã criticou a conferência egípicia.

- Quem participou nela e fez parte desse espetáculo de títeres aprova as atrocidades do regime sionista em Gaza - afirmou Ali Akbar Mohtashamipur, secretário-geral da reunião de Teerã.

A televisão iraniana exibiu imagens de representantes estrangeiros presentes na reunião, e, entre os poucos identificáveis, estavam o presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, aliado do movimento xiita libanês Hezbollah, o número dois do gabinete político do Hamas no exílio, Mussa Abu Marzuk, e Mahmud Zahar, dirigente mais influente do Hamas na Faixa de Gaza.

Zahar chegou a admitir publicamente que o Irã financia o Hamas, principalmente "pagando os salários de nossos empregados" desde a vitória do movimento nas eleições legislativas de 2006.