Irã pede a muçulmanos que se unam à resistência palestina

Agência AFP

TEERÃ - O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, pediu nesta quarta-feira ao mundo muçulmano que se some à resistência palestina contra Israel, no discurso de abertura da cúpula internacional de dois dias organizada por Teerã para arrecadar dinheiro para Gaza.

- A única forma de salvar a Palestina é a resistência - declarou Khamenei, depois de chamar Israel de 'tumor cancerígeno'. - Não vamos salvar a Palestina mendigando nas Nações Unidas - acrescentou.

- Apoiar e ajudar os palestinos é um dever imperativo de todos os muçulmanos - afirmou ainda, pedindo que os dirigentes israelenses sejam julgados pela recente ofensiva em Gaza, na qual morreram mais de 1.300 palestinos e 13 israelenses.

O presidente iraniano, o ultraconservador Mahmud Ahmadinejad, também falou durante a sessão inaugural, quando reiterou o pedido de formar uma 'frente global antissionista e castigar seriamente os criminosos sionistas'.

A conferência coincide com a primeira visita ao Oriente Médio da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, que já se reuniu com os líderes de Israel e nesta quarta-feira se encontrará em Ramallah, Cisjordânia, com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, e o primeiro-ministro Salam Fayyad.

O Irã não reconhece Israel e Khameini já reiterou em várias ocasiões sua total recusa à solução de dois Estados para resolver o conflito israelense-palestino.

A cúpula de Teerã também acontece dois dias depois de outra reunião de doadores internacionais no Egito, na qual foram prometidos 4,5 bilhões de dólares para a reconstrução de Gaza.

O Irã criticou a conferência egípicia. - Quem participou e fez parte desse espetáculo de títeres aprova as atrocidades do regime sionista em Gaza - afirmou Ali Akbar Mohtashamipur, secretário-geral da reunião de Teerã.

A televisão iraniana exibiu imagens de representantes estrangeiros presentes na reunião e entre os poucos identificáveis estavam o presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, aliado do movimento xiita libanês Hezbollah, o número dois do gabinete político do Hamas no exílio, Mussa Abu Marzuk, e Mahmud Zahar, o dirigente mais influente do Hamas na Faixa de Gaza.