Raúl Castro consolida poder com mudanças no gabinete

REUTERS

HAVANA - O presidente cubano, Raúl Castro, afirmou nesta semana sua autoridade reestruturando o gabinete herdado há um ano do seu irmão Fidel, pondo seus próprios homens em postos-chave, segundo analistas. Mas os especialistas ainda não conseguem decifrar a lógica por trás de algumas das mudanças.

Fidel Castro afirmou, em artigo publicado na Internet nesta terça-feira, que as substituições não representam uma 'injustiça' e que foram afastados por seus 'papéis indignos'.

Raúl substituiu, por exemplo, figuras proeminentes como o chanceler Felipe Pérez Roque e o secretário-executivo do Conselho de Ministros, Carlos Lage, frequentemente citados como possíveis sucessores.

- Os militares continuam ganhando influência, como ganharam gradualmente, mas de forma sustentada, desde que Raúl tomou as rédeas do país, em 2006 - disse Bert Hoffman, especialista em América Latina do Instituto Alemão de Estudos Globais e Locais.

Raúl assumiu o poder interinamente em julho de 2006, quando Fidel se afastou por problemas de saúde, e foi efetivado no cargo em fevereiro de 2008. O governo disse que a mexida de peças na segunda-feira é apenas o começo de um processo para tornar o Estado socialista mais compacto e eficiente. A reestruturação não surpreendeu ninguém. Raúl falava dela desde que assumiu formalmente a presidência.

- O anúncio parece indicar que Raúl está pondo alguns dos seus próprios homens em posições-chave - disse o analista Phil Peters, do Instituto Lexington, de Washington, em seu blog https://cubantriangle.blogspot.com.

Peters minimizou a importância da saída de Lage, considerado o cérebro das tímidas reformas econômicas da década de 1990, lembrando que, mesmo tendo deixado o cargo de secretário do Conselho de Ministros, mantém seu influente cargo de vice-presidente.

- Mantém seu trabalho mais importante, o que o põe na linha de sucessão - escreveu.

Os analistas não prognosticam mudanças na política exterior. O chanceler Felipe Pérez Roque foi substituído por seu número 2, Bruno Rodríguez. Não está claro que papel terá no futuro Pérez Roque, uma das figuras mais proeminentes do governo cubano. Mas ninguém espera mudanças nas relações com os Estados Unidos, em meio a fortes expectativas de uma aproximação com Barack Obama, o primeiro presidente norte-americano disposto a dialogar com Cuba.

- Raúl Castro fixou claramente sua visão da relação com os Estados Unidos, e uma mudança é pouco provável - disse Peters.