Chanceler italiano diz que guerra contra Irã seria uma catástrofe

Agência ANSA

ROMA - O ministro das Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, afirmou nesta terça-feira, em entrevista a uma emissora de rádio local, que uma intervenção militar contra o Irã motivada pela política nuclear do país seria 'uma catástrofe para o mundo inteiro'.

Frattini excluiu 'uma hipótese militar', justificando que a queda dos preços do petróleo torna 'ainda mais forte e determinante' o efeito de sanção a Teerã, estabelecida pela ONU por causa de seu programa nuclear.

Segundo o chanceler, a não-proliferação nuclear é uma 'prioridade absoluta' da Itália na presidência do G8 (grupo dos países mais ricos do mundo e a Rússia). - O tema da não-proliferação nuclear e as diretrizes para renegociar o novo acordo estarão na agenda dos ministros das Relações Exteriores do G8 - afirmou Frattini.

- A posição do Irã (sobre a questão nuclear) preocupa não apenas os europeus, mas principalmente os seus vizinhos árabes, e por isso a comunidade internacional tem o dever de levá-la a sério - acrescentou o ministro.

Ele rebateu as críticas de que a Itália compartilha da política norte-americana de 'mão dupla': de um lado a oferta de diálogo e de outro o 'não' à bomba atômica iraniana. Segundo ele, o governo Berlusconi 'nunca teve comportamentos submissos' em relação aos Estados Unidos, nem mesmo em relação ao ex-presidente George W.Bush, 'com o qual o premier tinha uma amizade pessoal'.

Frattini recordou o confronto entre Geórgia e Rússia, ocorrido em agosto de 2008, como exemplo de situação em que a Itália esteve 'em desacordo' com os Estados Unidos, sustentando que Moscou 'não devia ficar isolada' e que a Geórgia não estava madura para entrar na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). - A nossa tese foi aquela da União Europeia e da atual administração Obama - explicou o ministro.

O chanceler também falou sobre a presença dos militares italianos no Afeganistão, afirmando que se as eleições presidenciais no país ocupado forem antecipadas para abril, a Itália poderia ter sérias dificuldades para recrutar os 200 soldados adicionais prometidos, limitadamente aos quatro meses da campanha eleitoral. Em vez disso, se as eleições continuarem confirmadas para agosto, isso seria feito a tempo, segundo Frattini.

Ainda de acordo com o ministro, quase 2.500 militares italianos estão no Afeganistão, e até abril o número subirá para 2.800 permanentes, não ligados às eleições.