Colômbia: Ex-presidente questiona terceiro mandato de Uribe

Agência ANSA

BOGOTÁ - O ex-presidente da Colômbia César Gaviria afirmou nesta sexta-feira que, para conseguir concorrer ao terceiro mandato, o atual presidente do país, Álvaro Uribe precisará de mais do que apenas sua "vontade".

O político, que também foi secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA) por 10 anos, afirmou que uma nova reeleição só seria possível com uma mudança na Constituição do país.

- Este não é um problema relacionado a sua vontade [de Uribe] - disse. - O presidente pode dizer que se os partidos da coalizão [governista] chegarem a um acordo, ele lança sua candidatura, mas o problema é que isto não pode acontecer porque a Constituição não foi modificada.

Gaviria, que presidiu a Colômbia entre 1990 e 1994, ressaltou ainda que o projeto de lei promovido no Congresso por partidários de Uribe para alterar a Carta e propor uma nova reeleição "está perdido".

Para ele, é "evidente" que Uribe tem "vontade" de se manter no poder. O ex-presidente recordou, porém, que "o país é regido por um estado de direito", e que "mudanças constitucionais são feitas dentro de determinados procedimentos, e com maiorias no Congresso".

Desta forma, Gaviria enviou uma resposta ao senador governista Armando Benedetti, que ontem à noite defendeu o terceiro mandato de Uribe.

- O presidente diz que não deseja se reeleger, mas que ele não será irresponsável com o país frente a um pedido de cinco milhões de pessoas - afirmou Benedetti, após se reunir com o próprio Uribe.

O senador explicou também que, caso os partidos da coalizão governista não chegarem a um acordo para escolher seu candidato, o atual presidente seria obrigado a concorrer nas eleições, marcadas para março de 2010.

O projeto de lei para a convocação de um referendo sobre o terceiro mandato de Uribe foi apresentado no Congresso com o respaldo de mais de cinco milhões de assinaturas.

Caso a medida seja aprovada, passará pela revisão da Corte Constitucional do país, que dará a palavra final sobre a proposta.

Atualmente, a Justiça Eleitoral investiga a origem do dinheiro usado para financiar a coleta de assinaturas apresentadas com o projeto de lei.

Questionado sobre a possibilidade de concorrer ao terceiro mandato, Uribe não nega nem confirma sua intenção. O presidente diz considerar ruim para a democracia sua permanência no poder, mas defende a continuidade de sua política de "segurança democrática", um dos carros-chefes de sua gestão, iniciada em 2002.

Hoje, ele é um dos governantes mais populares da América do Sul, com índices de popularidade que beiram os 80%, beneficiados sobretudo pelo êxito desta mesma política, com a qual combate o narcotráfico e as guerrilhas que atuam no país.