Clínica onde está italiana em coma é alvo de protestos

Portal Terra

TERRA - A clínica médica em que Eluana Englaro está internada à espera da morte foi alvo de manifestações neste domingo em Udine, no nordeste da Itália. Na entrada do prédio foram colocados velas e cartazes criticando a decisão da família de deixá-la morrer. Por toda a Itália, grupos se manifestam a favor e contra a decisão. A italiana está em coma há 17 anos e teve a alimentação e hidratação artificiais totalmente interrompidas no sábado após autorização da Suprema Corte do país, expedida no ano passado.

Eluana Englaro, 38 anos, sofreu um acidente de trânsito em 1992 e desde então vive em estado vegetativo. Segundo seu pai, a filha sempre expressou a vontade de poder morrer caso ficasse em um estado como esse. A família Englaro trava uma batalha legal há 12 anos para cumprir seu suposto desejo e conseguiu autorização do Tribunal de Apelação de Milão para suspender a alimentação artificial que a mantém viva. A decisão foi confirmada em novembro do ano passado pela Suprema Corte italiana.

A polêmica se acirrou no dia 3 de fevereiro, quando ela foi transferida para a clínica La Quiete, onde foi programada a redução do fluxo de alimentação artificial que mantém seu organismo funcionando.

Em uma tentativa de evitar a morte da italiana, o governo de Silvio Berlusconi emitiu um decreto que impedia a suspensão da alimentação, medida que foi vetada pelo presidente do país, Giorgio Napolitano, que alegou que ela passaria por cima de uma decisão da Justiça. Na última sexta-feira (6 de fevereiro), o governo de Berlusconi fez uma nova tentativa para impedir a morte e propôs um projeto de lei para bloquear a suspensão da alimentação artificial. A medida ainda precisa ser aprovada pelo parlamento italiano para se tornar efetiva.

A alimentação de Eluana foi reduzida em inicialmente em 50% na sexta-feira, até ser interrompida de forma definitiva no sábado.