Chanceler alemã telefona para o papa

Jornal do Brasil

ALEMANHA - A chanceler alemã Angela Merkel telefonou para o papa Bento XVI ontem para falar sobre o fato de o bispo Richard Williamson ter negado o Holocausto e voltado para a Igreja Católica Romana no mês passado. Williamson, que apareceu numa recente entrevista suíça, diz que só há chances de se retratar caso tenha acesso a mais evidências comprovando que o Holocausto aconteceu de verdade.

Nenhuma das partes dá sinais de mudar a opinião sobre o caso. Pouco antes de o papa suspender a excomunhão, Williamson negou que os nazistas tivessem assassinado 6 milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial.

Foi uma conversa bastante construtiva os governos da Alemanha e do Vaticano disseram.

Merkel e Bento XVI expressaram respeito um pela opinião do outro, num discurso diplomático.

O papa e o Vaticano devem ser claros em não negar a existência do Holocausto afirmou Angela.

O Vaticano apontou vários momentos em que o pontífice, nos últimos anos, condenou a destruição da Europa judaica, incluindo suas visitas aos campos de concentração. Ele também disse que não sabia dos pontos de vista de Williamson sobre o Holocausto quando suspendeu a excomunhão.

Eu acredito que não existiram câmaras de gás disse Williamson, em entrevista recente para uma rede de televisão sueca.

Bispos católicos da Alemanha pediram que ele fosse expulso.

O Sr. Williamson é impossível e irresponsável. Não vejo lugar para ele na Igreja Católica sentenciou o arcebispo Robert Zollitsch, presidente da Conferência de Bispos da Alemanha, ao Spiegel Online.

Em artigo divulgado anteontem, a publicação trouxe declarações de Williamson em que ele garante não voltar atrás.