Obama não descarta ataque ao Irã

Jornal do Brasil

WASHINGTON - Mesmo depois de dar sinais de abertura para um maior diálogo entre Teerã e Washington, o presidente americano, Barack Obama, continua não excluindo a possibilidade de um ataque militar contra o Irã para que o país dê fim a seu programa nuclear.

O presidente não mudou o ponto de vista de que deve preservar todas as opções disse o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs.

De acordo com o porta-voz, Obama acredita que os EUA precisam usar todos os elementos do poder nacional para proteger os interesses em relação ao Irã .

Na quarta-feira, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, havia dito estar pronto para cooperar com Obama, se o novo presidente mudar as políticas e práticas na região. Além disso, pediu mudanças profundas na política externa dos EUA, incluindo o fim do apoio americano a Israel e desculpas pelos erros do passado.

Na campanha pela Casa Branca, Obama foi duramente criticado pelo rival John McCain por defender uma postura diplomática no que seria um diálogo sem restrições com Ahmadinejad. Mais tarde, o democrata não excluiu a pressão americana para o fim do programa nuclear iraniano, que afirma ter fins bélicos.

Em sessão durante o Fórum Econômico em Davos, na Suíça, o ministro de Relações Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, também afirmou na quinta-feira que o país está disposto a colaborar com Washington.

Acreditamos que se a nova administração dos EUA, como Obama afirmou, vai mudar suas políticas, não apenas nas palavras, mas na prática, definitivamente encontrarão na região uma reação positiva e cooperativa. O Irã não está excluído deste entendimento.

Durante os oito anos de governo Bush, as relações com o Irã foram congeladas. A esperança, conforme sublinhou Mottaki, é que com a chegada de Obama à Casa Branca, a mudança seja concretizada.

Os países da região estão esperando para ver como esta mudança será introduzida. É uma mudança estratégica? É uma mudança em táticas? havia questionado o chanceler.

Clima

No segundo dia do Fórum em Davos, ontem, o premier dinamarquês pediu que países ricos e pobres se comprometam a fazer grandes cortes nas emissões de gases-estufa, no momento em que seu país se prepara para ser palco de negociações para um novo tratado sobre o clima, no fim do ano.

Esperanças de que um acordo seja possível aumentaram desde a posse de Obama, considerado verde por muitos. Empresários mostram-se cada vez mais otimistas sobre as oportunidades lançadas pela mudança climática.

Especialistas alertam, no entanto, que diante da crise econômica, a tentação seria mudar para combustíveis baratos e poluentes, em especial o carvão, aumentando o risco de anular os efeitos de um uso mais baixo de energia industrial.

O comissário europeu para o setor de energia, Andris Piebalgs, concordou que a recessão tem tornado mais difícil avançar com os ambiciosos planos ambientais da União Européia, além de complicar a tentativa de se alcançar consenso em Copenhague este ano.

Saúde

Dentro de casa, Obama felicitou o Congresso por aprovar por 66 votos a favor e 32 contra um projeto de lei que estende a cobertura da saúde pública para mais 4 milhões de crianças no país.

- Enquanto o agravamento da situação econômica faz com que as famílias percam seus trabalhos e seguros de saúde, é vital que redobremos nossos esforços para garantir que cada criança nos EUA tenha uma cobertura de saúde acessível - afirmou Obama em um comunicado.