Oposição venezuelana sofre ataques após discurso de Chávez

REUTERS

CARACAS - A oposição venezuelana foi atacada nesta segunda-feira com gás lacrimogêneo, depois de o presidente Hugo Chávez orientar a polícia a usar essa munição contra distúrbios que possam ocorrer até 15 de fevereiro, quando um referendo definirá se ele poderá ou não disputar novos mandatos.

Uma proposta semelhante já foi derrotada num referendo em 2007, após grandes e às vezes violentas manifestações estudantis.

Entre domingo à noite e segunda-feira de manhã, desconhecidos atiraram gás lacrimogêneo contra a representação do Vaticano em Caracas e contra a casa de um magnata da imprensa adversário do governo. A picape de um líder estudantil foi queimada.

O prefeito oposicionista da capital disse que homens armados invadiram a prefeitura no sábado, e que na segunda-feira houve um novo ataque com gás contra estudantes que concediam uma entrevista coletiva ao vivo pela TV.

Os incidentes ocorrem depois de Chávez proferir, no sábado, um discurso convocando a polícia a dispersar manifestações turbulentas.

"Joguem gás neles", disse Chávez no discurso, depois de um violento protesto estudantil na semana passada contra sua tentativa de uma nova reeleição.

O governo diz que os ataques foram organizados pela própria oposição, em parceria com a rede de TV Globovisión, para afetar a imagem de Chávez.

-Bombas de gás lacrimogêneo e carros queimados já começaram a aparecer, curiosamente junto com as câmeras de Globovisión-, disse Jorge Rodríguez, prefeito chavista de um distrito no centro de Caracas.

Já a nunciatura (embaixada do Vaticano) concede refúgio ao líder estudantil Nelson Moreno, acusado de tentar estuprar uma policial. Além disso, muitos seguidores de Chávez contestam a Igreja por suas críticas frequentes ao presidente - como na semana passada, quando bispos venezuelanos se disseram "preocupados" com as tentativas de reforma da Constituição.

Um advogado de Moreno na segunda-feira atribuiu o ataque na embaixada ao Coletivo La Pedrita, formado por chavistas radicais. O grupo não se manifestou.

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