Lula adota tom cauteloso para falar de Barack Obama

Jornal do Brasil

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abordou, nesta segunda, no programa semanal que mantém no rádio, Café com o presidente, as perspectivas brasileiras diante do governo do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama. Lula afirmou esperar a continuidade e o aperfeiçoamento da boa relação que historicamente os dois países mantêm, além de, mais uma vez, mencionar os delicados temas do fim do embargo a Cuba, medida defendida pelo governo brasileiro, e a redução dos embargos americanos ao etanol brasileiro.

Vamos manter a boa política que temos com os Estados Unidos garantiu Lula. Ela é histórica e eu penso que o Obama, se quiser, pode aprimorar essa relação. Porque, se os Estados Unidos são o país mais importante do mundo, o Brasil é o mais importante da América Latina.

Lula resumiu bem o tom mais cauteloso que o Palácio do Planalto e o Itamaraty têm mantido em relação ao novo líder americano. A maior parte das declarações do presidente brasileiro passou longe da euforia que tomou conta até mesmo do PT em relação a Obama, e foi muito mais a cobrança de uma nova postura dos Estados Unidos para a América Latina do que uma mostra de confiança de que a nova atitude de fato venha a ocorrer.

Os Estados Unidos, durante muito tempo, tiveram uma política equivocada para a América Latina criticou, lembrando do apoio americano aos regimes militares no continente ao longo das décadas de 1960 e 1970.

De acordo com o presidente, o olhar dos Estados Unidos para os países da região deve ser mais democrático e desenvolvimentista , a começar pelo fim do embargo econômico a Cuba, que, segundo Lula, não tem nenhuma explicação científica e política válida.

Lula admitiu, no entanto, que, até o momento, o novo presidente americano se mostrou mais palatável e flexível em relação à questão ambiental. E disse apostar num governo menos rígido, comparado ao antecessor, quanto às negociações da Rodada de Doha.

O Ministério das Relações Exteriores envia, nesta terça, mensagem oficial de congratulações ao novo presidente. Uma das principais pontes entre o Palácio do Planalto e a Casa Branca, porém, promete ser o ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, que foi professor de Obama na Universidade Harvard. O ministro mantém contato com assessores próximos ao ex-aluno e acaba de retornar dos Estados Unidos.

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