Ações de caridade marcam dia de Martin Luther King e posse de Obama

Agência AFP

WASHINGTON - As festividades organizadas para marcar a posse de Barack Obama ganharam um tomm mais solene nesta segunda-feira, dia de feriado anual colocado sob o signo do voluntariado nas associações de caridade em homenagem ao líder negro Martin Luther King.

Na véspera de se tornar o primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos, Barack Obama começou, entre outras atividades, visitando soldados feridos no hospital militar Walter Reed, na periferia de Washington, um estabelecimento criticado pelas condições lamentáveis de alojamento dos pacientes.

Também arregaçou as mangas e pintou de azul a parede de uma instituição.

Acompanhado por uma multidão de jornalistas e curiosos tirando fotos com seus telefones celulares, ajudou na pintura da Sasha Bruce House, uma residência para moradores de rua e adolescentes problemáticos perto do Capitólio, em Washington.

Os assessores do presidente eleito explicaram que a residência foi escolhida devido a sua "nobre missão".

Em comunicado especial pela ocasião, Obama prestou uma homenagem a Martin Luther King, afirmando que sua posse permitirá "renovar a promessa" do sonho americano.

"Amanhã (terça-feira), vamos nos reunir na esplanada onde o sonho de Martin Luther King continua vivo. Por isso mesmo, reconhecemos que aqui, na América, nossos destinos são intrinsecamente ligados", declarou.

"Estamos determinados a avançar juntos. Ao buscar renovar a promessa deste país, lembremo-nos da lição de King: os sonhos de cada um de nós formam na verdade apenas um", acrescentou.

O dia de homenagem a King, assassinado em 1968 aos 39 anos depois de lançar o movimento de direitos iguais para brancos e negros, é tradicionalmente dedicado a causas humanitárias nos Estados Unidos.

Este feriado ganhou uma importância especial em 2009, num momento em que Obama, que sempre dedicou parte de seu tempo às atividades sociais nos bairros de seu feudo de Chicago (Illinois, norte dos EUA), conclamou seus concidadãos a "renovar a América juntos", num contexto de grave crise econômica.

As festividades recomeçarão no início da noite, com um baile especial para as crianças que contará com a participação de Michelle Obama e Jill Biden, a esposa do vice-presidente eleito.

Barack Obama, que transformou a cooperação com a oposição republicana em uma de suas prioridades, comparecerá na noite desta segunda-feira a três jantares consecutivos: um em homenagem a Colin Powell, que se tornou durante o primeiro mandato de George W. Bush o primeiro negro secretário de Estado, outro em homenagem a John McCain, adversário de Obama nas eleições presidencial, e o terceiro em homenagem ao vice-presidente eleito Joseph Biden.

A terça-feira promete engarrafamentos ainda piores que os de ontem à noite, provocados por um show gratuito no Mall, o imenso parque do centro de Washington. As centenas de milhares de americanos procedentes dos quatro cantos do país aproveitaram o dia para visitar os museus e os shoppings da capital.

Torrey Pocock, 38 anos, veio de Los Angeles para comemorar a vitória sobre o racismo que representa a eleição de Obama, apesar de sempre ter votado nos republicanos.

-Que este país, com sua história, tenha depositado sua confiança num presidente negro é algo incrível-, vibrou.

Entre os convidados de última hora, estão os tripulantes do voo 1549 da US Airways, que caiu quinta-feira no rio Hudson com 155 passageiros a bordo sem deixar vítimas.

Por sua vez, o presidente George W. Bush continuou preparando sua saída. Ele ligou nesta segunda-feira para os dirigentes de países aliados, amigos e até rivais dos Estados Unidos para se despedir.

Além disso, a Casa Branca advertiu nesta segunda-feira a Coreia do Norte que o próximo presidente manterá a firme política americana de oposição a seu programa nuclear, e qualificou de pueril a atitude de desafio de Pyongyang.

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