Bolívia vai elevar oferta de gás em 15% em 2009

REUTERS

LA PAZ - A Bolívia vai aumentar em 15% sua produção de gás natural este ano, como primeiro passo de um plano ambicioso para duplicar sua oferta em cinco anos e satisfazer as necessidades da Argentina, do Brasil e de seu próprio mercado, disse o ministro dos Hidrocarbonetos.

Em entrevista concedida à Reuters na noite de terça-feira, o ministro Saúl Avalos anunciou que os investimentos na exploração e aumento da produção da YPFB e uma dúzia de empresas estrangeiras chegarão a 1,5 bilhão de dólares em 2009, pondo fim a um ciclo de estagnação do setor.

Esses investimentos não incluem projetos de industrialização e planos ambiciosos de exploração em parceria com a estatal petrolífera venezuelana PDVSA, a russa Gazprom e uma empresa chinesa, que dariam à Bolívia, maior exportadora de gás na América do Sul, a possibilidade de atender também a novos mercados, como Paraguai e Uruguai, assinalou o ministro.

-Não serão modificadas as prioridades (de exportação). Primeiro o mercado nacional, segundo, o Brasil (...), e a Argentina continuará a depender dos volumes excedentes que tivermos-, disse Avalos.

A produção boliviana de gás está estagnada em cerca de 40 milhões de metros cúbicos diários (mmcd) desde o início da década, e o governo de esquerda de Evo Morales, que nacionalizou o setor em maio de 2006, não conseguiu até agora reativar os investimentos.

Avalos indicou que, até maio, a Bolívia programa bombear 26,2 mmcd aos mercados brasileiros de São Paulo e Cuiabá, 6 mmcd à Argentina e 5,8 mmcd ao mercado interno. Outros 2 mmcd são gastos no transporte.

A partir de junho, quando se prevê que a demanda brasileira suba para pelo menos 30 mmcd, estará disponível um primeiro aumento da produção, o que evitará uma redução drástica do fornecimento à Argentina, como o que foi registrado nos últimos dois anos.

-Para este ano estamos falando (...) de um incremento de 6 milhões de metros cúbicos por dia. Essa é nossa projeção preliminar-, disse Avalos.

O ministro acrescentou que, para garantir os investimentos e a oferta, a YPFB vai fechar em fevereiro acordos de curto e longo prazo de produção de gás com todas as empresas estrangeiras com as quais mantém contratos, entre elas a brasileira Petrobras, a espanhola Respol-YPF, a francesa Total e a britânica British Gas.

Sem especificar os projetos, Avalos disse que o governo boliviano espera que a estatal e as empresas estrangeiras acelerem as explorações e o desenvolvimento de grandes jazidas já descobertas, para produzir a partir de 2014 ao menos 80 mmcd.

As empresas estrangeiras "estão aqui titubeando em dar o impulso que o campo pede. Esperemos que elas, com esse compromisso de entrega que vamos fechar, iniciem um desenvolvimento em grande escala e, se não, a Yacimientos (YPFB) tomará suas precauções a respeito", advertiu.

Com o plano, a Bolívia poderá cumprir com folga a partir de 2014 seus compromissos de bombear 30 mmcd para o Brasil, 27,7 mmcd para a Argentina, ao menos 9 mmcd para o mercado interno tradicional e 8 mmcd para o polo siderúrgico.