Bin Laden pede guerra santa em defesa da Faixa de Gaza

REUTERS

DUBAI - O militante de origem saudita disse que a crise financeira global expôs a diminuição da influência dos EUA sobre os assuntos mundiais, o que, por sua vez, vai enfraquecer Israel, seu aliado.

-Nossos irmãos na Palestina, vocês já sofreram muito... os muçulmanos se solidarizam com vocês naquilo que veem e ouvem. Nós, os mujahideens, também nos solidarizamos com vocês...-, disse Bin Laden na fita intitulada "Uma convocação à jihad para parar com a agressão contra Gaza".

"Estamos com vocês e não os decepcionaremos. Nosso destino está vinculado ao seu no combate à coalizão cruzado-sionista, na luta até a vitória ou o martírio."

O número de mortos palestinos na ofensiva israelenses para esmagar o movimento islâmico Hamas na Faixa de Gaza já chegou a 971 em 19 dias, provocando revolta ampla entre árabes e muçulmanos comuns. Israel diz que 13 israelenses foram mortos nesse período.

Na fita de 22 minutos, Bin Laden disse que os Estados Unidos estão perdendo sua posição hegemônica no mundo e que isso se deve à campanha da Al Qaeda.

-A jihad de seus filhos contra a coalizão cruzado-sionista é uma das razões principais desses efeitos destrutivos entre nossos inimigos-, disse Bin Laden na fita, que traz a data do mês islâmico atual.

-Deus nos dotou da paciência para prosseguir no caminho da jihad por mais sete anos, e ainda sete e mais sete... A pergunta é: 'será que a América levará adiante sua guerra contra nós por várias décadas ainda?' Os relatos e as evidências sugerem o contrário.-

A autenticidade da fita, produzida pela As-Sahab, a ala de mídia da Al Qaeda, não pôde ser verificada de imediato, mas a voz soava como a de Bin Laden.

Osama bin Laden foi ouvido em fita de áudio pela última vez em maio, em mensagem que também focava a Faixa de Gaza e na qual convocava os muçulmanos para tentar pôr fim ao bloqueio da região.

Nos últimos anos o líder da Al Qaeda vem dando ênfase crescente ao conflito israelo-palestino, e a fita de áudio divulgada nesta quarta veio acompanhada de uma foto de Bin Laden e outra da mesquita Al Aqsa, em Jerusalém, o terceiro mais sagrado santuário do Islã.

Depois dos ataques de 11 de setembro de 2001 a cidades americanas, a Al Qaeda tem lançado chamados regulares por ataques ao Estado judeu.

A Al Qaeda é largamente vista como responsável por um ataque a um hotel de propriedade israelense no Quênia e uma tentativa fracassada simultânea de abater um jato fretado israelense perto do aeroporto de Mombasa, em 2002.