Paraguai: Camponeses denunciam tortura contra trabalhadores rurais

Agência ANSA

ASSUNÇÃO - Três camponeses paraguaios presos em uma operação militar no norte do país teriam sido torturados para confessar participação em ataques, segundo denunciou nesta terça-feira o líder dos trabalhadores rurais Demetrio Alvarenga.

O governo paraguaio empregou nos últimos dias as forças militares para apoiar a polícia nos departamentos de San Pedro e Concepción, onde recentemente foram atacadas e incendiadas duas pequenas bases, uma militar e outra policial.

Os responsáveis pelos atos se identificaram como Exército Popular Paraguaio (EPP), porém o governo ressalta que se trata de criminosos comuns, que usam esse nome para propagar o medo.

Segundo Alvarenga, os camponeses foram torturados para que assumissem a autoria dos ataques. O bispo da região, monsenhor Zacarías Ortiz, reiterou a denúncia e lamentou tais medidas, pois "lembram obscuras épocas da ditadura" de Alfredo Strossner (1954-1989).

Na mesma linha, a Coordenadoria das Organizações dos Direitos Humanos no Paraguai (Codehupy) também respaldou a denúncia em um comunicado.

Para o ministro do Interior, Rafael Filizzola, o resultado da operação militar foi "sumamente positivo", argumentando que em San Pedro operam narcotraficantes, contrabandistas de madeira, ladrões de veículos e sequestradores.

Os ataques aos postos militares, realizados no final do ano passado, teriam sido a primeira ação do EPP e levantaram polêmicas sobre a existência de grupos guerrilheiros no país.

O governo do presidente Fernando Lugo, que foi acusado de omissão em relação ao assunto, alega que em todos os casos se trata de criminosos comuns.