Olmert diz que falou com Bush para forçar EUA a mudar voto na ONU

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JERUSALÉM - O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, disse que um telefonema que fez na semana passada ao presidente norte-americano, George W. Bush, obrigou a secretária de Estado Condoleezza Rice a se abster na votação de uma resolução da ONU sobre a guerra na Faixa de Gaza, deixando-a 'envergonhada'.

Carregando forte na bravata política num discurso feito na noite de segunda-feira, Olmert disse que exigiu falar com Bush na quinta-feira passada, faltando apenas dez minutos para uma votação no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre uma resolução pedindo um cessar-fogo imediato. Israel era contrário à resolução.

- Quando vimos que a secretária de Estado, por razões que não compreendíamos realmente, queria votar a favor da resolução da ONU ... eu procurei o presidente Bush, e me disseram que ele estava na Filadélfia, fazendo um discurso - disse Olmert.

- Falei 'não me importa. Preciso falar com ele agora mesmo' - afirmou Olmert, referindo-se a Bush, que deixará a presidência dos EUA em 20 de janeiro, como 'amigo ímpar' de Israel.

- Tiraram Bush do pódio, levaram-no para outra sala, e eu conversei com ele. Eu disse a ele: 'Vocês não podem votar a favor desta resolução'. Ele falou: 'Escute, eu não estou sabendo sobre isso, não vi a resolução, não estou familiarizado com o texto dela - disse.

Olmert afirmou que então falou a Bush: 'Eu estou familiarizado. Você não pode votar a favor.'

- Ele deu uma ordem à secretária de Estado, e ela não votou a favor - uma resolução que ela mesma arquitetou, redigiu, organizou e pela qual manobrou. Ela ficou bastante envergonhada e se absteve de votar numa resolução que ela mesma tinha organizado - disse Olmert.

Quatorze dos 15 membros do Conselho de Segurança foram a favor da resolução, que não conseguiu interromper a ofensiva de Israel na Faixa de Gaza nem o disparo de foguetes pelo Hamas contra território israelense.

Olmert, que está sendo investigado pela polícia por alegada corrupção, renunciou ao cargo de primeiro-ministro em setembro, mas continua a exercê-lo interinamente até que seja formado um novo governo, o que acontecerá após a eleição parlamentar de 10 de fevereiro em Israel.