Israel teria planejado ataques a Gaza por 6 meses

REUTERS

LONDRES - Ao contrário da resposta confusa e improvisada dada por Israel ao Hezbollah em 2006, os ataques contra o Hamas registrados desde o último sábado parecem ter sido cuidadosamente preparados durante um longo período, informa nesta segunda o jornal britânico The Guardian.

Agências de notícias israelenses informaram ontem que o país teria recolhido informações ao longo de seis meses para identificar os alvos do Hamas a serem atacados, como depósitos de armas, campos de formação e casas de altos funcionários.

Em 19 de dezembro, o governo teria passado cinco horas planejando os pormenores da ofensiva, cuja definição da data exata ficaria a cargo do primeiro-ministro, Ehud Olmert, e do ministro da Defesa, Ehud Barak.

A decisão de permitir que, na sexta-feira, um comboio com ajuda humanitária (comida, combustível e suprimentos) entrasse em Gaza - um gesto aparentemente resultante da pressão internacional para que Israel amenizasse o bloqueio à Faixa de Gaza - faria parte da estratégia.

Após o início dos bombardeios, Barak disse que Israel decidiu atacar porque "sua paciência simplesmente esgotou-se", após o fim da trégua, no último dia 19 de dezembro, que os palestinos não quiseram renovar.

- Qualquer outra nação soberana faria o mesmo - disse o ministro israelense.

Os bombardeios israelenses deixaram pelo menos 300 mortos e centenas de feridos em Gaza, desde sábado. Mark Regev, porta-voz do primeiro ministro israelense, Ehud Olmert, disse que a ação militar vai continuar até que a população do sul de Israel "não mais viva em meio ao terror e ao medo de constantes bombardeios".

A ministra de Exterior israelense, Tzipi Livni, disse, no segundo dia de ataques aéreos contra a Faixa de Gaza, que a operação tem sido "um sucesso". O país afirma que os ataques servem para tentar forçar o Hamas a por um fim ao lançamento de foguetes por militantes palestinos contra alvos no país.