Raúl Castro anuncia maior controle em Cuba

Jornal do Brasil

HAVANA - No momento em que Cuba se prepara para comemorar, na quinta-feira, o 50º aniversário da revolução que levou Fidel ao poder, Raúl Castro anunciou austeridade e controle mais rigoroso na ilha. Os cubanos terão de se acostumar com uma eliminação gradual de gratuidades e subsídios no meio de uma situação econômica difícil num cenário de crise e desastres naturais.

Raúl afirmou na reunião de encerramento do ano da Assembléia Nacional que cortará viagens oficiais ao exterior em 50% e eliminará programas que recompensam bons trabalhadores com viagens de férias gratuitas. Antes do discurso do presidente, a Assembléia votou a favor de aumentar em cinco anos a idade com a qual os trabalhadores podem se aposentar, que agora é 65 para homens e 60 para mulheres.

Os três furacões que castigaram o país este ano causaram perdas de 10 bilhões de dólares cerca de 20% do PIB redução agravada pelo aumento dos custos de importação e a queda do preço das exportações, o que pede grande disciplina fiscal do país, segundo Castro.

Castro afirmou que os gerentes cubanos precisam demandar mais de seus trabalhadores, que recebem educação e saúde gratuitas. O líder criticou a falta de rigor no trabalho e considerou necessário devolver ao salário que ronda os 17 dólares mensais o poder real que perdeu com a crise há quase 20 anos, pois segundo dados oficiais, 180 mil cubanos não trabalham ou estudam.

De acordo com autoridades, o déficit fiscal cubano aumentou para 6,7% do PIB, enquanto a economia cresceu 4,3% em 2008, menos do que se esperava.

O mandatário falou que um dos problemas fundamentais na ilha é a falta de exigência sistemática em todos os níveis. Por isso, propôs a criação de um órgão controlador dos recursos e deveres, com amplo poder e que será subordinado somente ao Conselho de Estado que ele preside.

Disse ainda que as gratuidades devem se limitar estritamente a assegurar a todos os cidadãos questões vitais como educação, saúde e segurança e que o país levará seis anos para recuperar a economia depois dos furacões.

Revolução

A revolução cubana completa 50 anos no dia primeiro de janeiro, depois de sobreviver à sucessão do líder Fidel Castro, a oposição dos EUA e a queda do bloco comunista.

Da varanda de onde há meio século, Fidel Castro, com então 32 anos, proclamou o triunfo contra o ditador Fulgencio Batista, espera-se que no dia do aniversário seu irmão Raúl faça um discurso, num ato em que se espera também a presença do presidente venezuelano, Hugo Chávez.