Israel ataca Hamas em Gaza e provoca mais de 150 mortes

JB Online

GAZA - Israel bombardeou neste sábado vários alvos do Hamas na Faixa de Gaza, causando mais de 150 mortes, em represália à retomada dos disparos de foguetes a partir deste território palestino controlado pelo movimento radical islâmico.

- Pelo menos 145 pessoas morreram nestas operações e mais de 100 foram feridas em toda a Faixa de Gaza - declarou à AFP o ministro da Saúde do Hamas, Bassem Naim.

O balanço é provisório, já que os ataques aéreos não foram interrompidos.

A emissora de rádio de Hamas anunciou a morte de 155 palestinos, a maioria na cidade de Gaza e na zona norte do território, e mais de 200 feridos nos bombardeios.

- A operação continuará e será eventualmente ampliada em função das avaliações do Exército e das autoridades de Defesa - advertiu o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak.

A resposta palestina não demorou: dezenas de foguetes foram lançados neste sábado a partir da Faixa de Gaza contra Israel.

Um dos projéteis matou uma civil israelense en Netivot e deixou quatro feridos em uma casa desta cidade do sul israelense.

O general Tawfik Jaber, chefe de polícia do Hamas, morreu nos bombardeios, que tiveram como alvo principal o quartel-general da polícia da organização radical na cidade de Gaza, segundo o porta-voz das forças de segurança do território palestino, Islam Shawan.

Mais de 100 policiais morreram e um campo de treinamento militar do Hamas no norte da Faixa de Gaza foi totalmente destruído, ainda de acordo com Shawan.

- Pedimos a todas as nossas tropas que vinguem pela força as operações do inimigo israelense - afirmou um porta-voz do Hamas a seu braço armado, as Brigadas Ezzedin al-Qassam.

- Recorram a todos os meios para não deixar descansar os sionistas - acrescentou.

Em Gaza, combatentes do braço armado do Hamas pediram por alto-falantes aos habitantes do sul de Israel que "preparem as mortalhas".

A comunidade internacional pediu o fim da violência e o presidente palestino, Mahmud Abbas, de quem o Hamas tomou o controle de Gaza à força, condenou os ataques e anunciou ter iniciado contatos urgentes para deter os bombardeios israelenses.

- Iniciamos contatos urgentes com vários países árabes e outros para fazer cessar a vil agressão e os massacres na Faixa de Gaza - disse Abbas por telefone à AFP da Arábia Saudita, onde está em uma visita.

No entanto, Israel fez questão de advertir que os bombardeios da manhã deste sábado são apenas o início da operação.

- A operação, executada depois de uma decisão do gabinete, acabou de começar. Pode levar tempo. Não fixamos um prazo e agimos em função da situação no local - afirmou o porta-voz do Exército, Avi Benyahu, à rádio militar.

A chanceler israelense, Tzipi Livni, reuniu os colaboradores para iniciar uma campanha de informação internacional e explicar a decisão de atacar o Hamas.

Para Fawzi Baroum, porta-voz do Hamas, as operações israelenses são um "complô orquestrado" com o Egito na reunião de quinta-feira entre o presidente Hosni Mubarak e Livni.

O Egito condenou os bombardeios e anunciou a abertura da passagem de fronteira de Rafah para permitir a retirada dos feridos.

A comunidade internacional já começou a reagir aos acontecimentos.

Os Estados Unidos pediram a Israel que evite vítimas civis no bombardeio de alvos do Hamas em Gaza, mas advertiu que o movimento radical islâmico deve interromper os ataques com foguetes se deseja o fim da violência.

- Os Estados Unidos pedem a Israel para evitar vítimas civis ao bombardear o Hamas em Gaza - afirmou o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, Gordon Johndroe, em Waco (Texas), onde o presidente George W. Bush passa os últimos dias do ano em sua fazenda particular.

- Os ataques contínuos com projéteis do Hamas contra Israel devem cessar se deseja que acabe a violência. O Hamas deve encerrar as atividades terroristas se quer desempenhar um papel no futuro do povo palestino - acrescentou Johndroe.

Já o presidente francês, Nicolas Sarkozy, pediu a suspensão imediata dos disparos de foguete contra Israel, assim como dos bombardeios israelenses em Gaza.

O governo da Rússia fez um pedido semelhante em um comunicado divulgado pelo ministério das Relações Exteriores, enquanto o comissário de Política Externa da União Européia (UE), Javier Solana, reclamou um "cessar-fogo imediato" em Gaza.

A Liga Árabe anunciou para domingo no Cairo uma reunião de emergência para "examinar os bombardeios israelenses de Gaza", segundo Amr Musa, secretário-geral da organização.

- Os ministros árabes das Relações Exteriores terão uma reunião de urgência nas próximas horas para examinar a agressão israelense à Faixa de Gaza - declarou Musa, antes de explicar que o encontro foi solicitado pela Jordânia.

Musa pediu ainda à Líbia, membro do Conselho de Segurança da ONU, que solicite uma reunião do principal órgão de decisão das Nações Unidas.

O rei Abdullah II da Jordânia entrou em contato com os presidentes egípcio, Hosni Mubarak, e palestino, Mahmud Abbas, para "lançar uma iniciativa árabe e internacional destinada a acabar com a agressão israelense", segundo o palácio real.

O líder líbio Muamar Kadhafi conversou neste sábado com vários dirigentes árabes para adotar uma postura "firme e séria" a respeito, segundo fontes oficiais.

O Irã, inimigo jurado do Estado hebreu, também condenou os ataques e pediu uma ação da comunidade internacional.