Exército tenta golpe de Estado da Guiné

Jornal do Brasil

GUINÉ - Militares deram início a uma tentativa de golpe de Estado ontem na Guiné e suspenderam a Constituição, horas depois de anunciada a morte do presidente Lansana Conté, que estava no poder há 25 anos. O primeiro-ministro, Ahmed Tidiane Souaré, afirmou, entretanto, que continua no cargo e que seu governo está trabalhando na preparação do funeral do presidente Lansana Conté.

Não acho que todo o Exército esteja por trás dos amotinados. É um grupo afirmou de sua casa o presidente da Assembléia Nacional, Aboubacar Somparé, que deveria assumir interinamente a chefia de Estado, segundo a Constituição.

A tentativa de golpe foi desencadeada algumas horas depois que líderes do governo disseram que Conté, de 74 anos, havia morrido de uma enfermidade. O país, no oeste da África, é o maior exportador mundial de bauxita, minério do qual se obtém alumínio.

Somparé afirmou que estão ocorrendo negociações entre as autoridades leais à Constituição e os funcionários e os soldados que tentam dar o golpe de Estado, os quais haviam anunciado antes, em uma transmissão radiofônica, a suspensão da Constituição e do governo.

O presidente da Assembléia Nacional afirmou acreditar que a maioria dos militares seja legalista. A França, antigo poder colonial no país, informou que se oporá a qualquer golpe na Guiné.

Não ficaremos satisfeitos com uma situação que não respeite a ordem constitucional disse o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, Eric Chevallier. Parece que as autoridades legítimas estão atualmente com o controle da situação no país.

Soldados fortemente armados protegiam a estratégica ponte na estrada de acesso ao centro de Conacri e também patrulhavam as ruas em caminhonetes.

Na transmissão radiofônica em que anunciou a suspensão da Constituição, um dos participantes do golpe, capitão Moussa Davis Camara, disse que um Conselho Nacional para a Democracia e o Desenvolvimento estava assumindo o poder. Para justificar a dissolução do governo, o anúncio referiu-se à corrupção generalizada, impunidade e anarquia e uma situação econômica catastrófica.

Os membros do atual governo são em grande parte responsáveis por esta crise econômica e social sem precedentes afirmou.

A morte de Conté, general diabético e que fumava muito, deixou um vazio de poder no país, onde empresas do setor de alumínio, como a Alcoa, Rio Tinto, Alcan e a russa Rusal, mantêm grandes operações.

A maioria da população da Guiné é pobre e o país passou nos últimos anos por vários distúrbios antigovernamentais, greves e sangrentos motins militares, agravados pela elevação dos preços dos alimentos e do combustível.