Produtores argentinos iniciam piquete contra Cristina Kirchner

Agência ANSA

BUENOS AIRES - Produtores agropecuários argentinos iniciaram nesta terça-feira um piquete na rodovia nacional 14, na cidade de Gualeguachú, no noroeste do país.

A medida, segundo decidiram os produtores em assembléia, será mantida por pelo menos duas horas como manifestação contra as medidas anunciadas ontem pela presidente Cristina Kirchner.

O governo argentino cortará pela metade o imposto sobre exportações de frutas e hortaliças, reduzirá em até 5% as taxas que incidem nas vendas de milho e trigo ao mercado estrangeiro e coibirá aumentos abusivos praticados em relação a adubos e agrotóxicos, entre outras iniciativas para incentivar a produção.

Ficou de fora, porém, um esperado corte nos impostos que incidem sobre as vendas de soja, o principal item da pauta de exportações agrícolas da Argentina, o que causou descontentamento das lideranças rurais.

A presidente explicou que a redução das chamadas retenções, nome dado às tributações cobradas sobre as exportações de grãos, se dará de maneira gradual.

O presidente da Federação Agrária de Entre Rios, Alfredo de Angeli, disse na noite de ontem que a mensagem da mandatária - apenas confundiu as pessoas e antecipou um ano mais tumultuado.

- Cristina não fez nada - declarou o produtor rural, - não falou do algodão, não falou do tabaco, não falou nada do setor leiteiro.

O governo e o campo mantiveram este ano um conflito de cerca de 100 dias que paralisou as produções e bloqueou diversas estradas. A tentativa do governo de aumentar impostos sobre os grãos, que motivou as manifestações, acabou barrada pelo voto de desempate do vice-presidente, Julio Cobos.