Líder do Talibã nega ter sugerido fórmula da paz a rei saudita

REUTERS

CABUL - O principal líder do Talibã negou nesta terça-feira os boatos de que teria mandado uma carta ao rei saudita sugerindo uma maneira de encerrar a guerra no Afeganistão e apresentando condições para as negociações com o governo afegão.

Mullah Mohammad Omar, por cuja captura os Estados Unidos oferecem recompensa de 10 milhões de dólares, também negou as reportagens que disseram que membros da insurgência Taliban teriam se encontrado com autoridades pró-afegãs a fim de terminar o conflito.

- O fato é que os Emirados Islâmicos nunca tiveram nenhuma negociação na Arábia Saudita nem nos Emirados Árabes Unidos nem em lugar algum. Eu também não mandei nenhuma carta ao outro lado (o governo afegão) nem recebi nenhuma mensagem deles - disse Omar, segundo um comunicado citado no site do Talibã.

O comunicado acrescentou que qualquer coisa dita sobre a questão era falsa e parte de uma campanha com interesses escusos.

Uma reportagem publicada no Irã disse que Omar teria proposto uma 'fórmula da paz' ao rei saudita.

Outros meios de comunicação também falaram sobre a fórmula, que previa a substituição de dezenas de milhares de militares liderados pela Otan no Afeganistão por soldados de nações islâmicas, além de uma divisão de poder com o presidente Hamid Karzai, que comanda o país desde a destituição do Taliban, em 2001.

No comunicado, Omar não disse que o movimento islâmico iria lutar até suas últimas forças para expulsar as tropas lideradas pela Otan do país, algo que costumava dizer. Ele também não mencionou em quais termos o Talibã poderia estar disposto a negociar.

Uma tentativa de primeiro passo neste sentido foi feita em setembro, quando autoridades afegãs pró-governo e ex-membros do Talibã se encontraram na Arábia Saudita. Deveria ter havido uma segunda rodada de encontros, mas o Talibã zombou da iniciativa e disse que não negociaria até que as tropas estrangeiras deixassem o Afeganistão.