Fundação espanhola divulga estudo sobre prioridade de Obama na região

Agência ANSA

MADRI - A Fundação para Análise e Estudos Sociais (Faes), dirigida pelo ex-primeiro-ministro espanhol, José María Aznar, divulgou nesta segunda-feira um relatório em que aponta as questões que o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, deve assumir como prioritárias em sua relação com a América Latina.

Segundo o documento, merecem destaque, entre outros assuntos, a manutenção da democracia, os Tratados de Livre Comércio (TLC) assinados com países da região e a luta contra o terrorismo e o narcotráfico.

Sobre temas ligados ao Brasil, o estudo - intitulado "A América Latina e a nova presidência dos Estados Unidos" - enfatiza a produção do etanol e a questão da Amazônia como principais preocupações de Washington.

O relatório afirma que Obama defende o etanol norte-americano, fabricado a partir do milho, o que pode aumentar o protecionismo e impor novas restrições às exportações brasileiras do combustível.

Além disso, reitera que o novo presidente norte-americano, que toma posse em 20 de janeiro, pode exercer influência sobre a estratégia de proteção da Amazônia, dada a sua disposição para trabalhar pelo equilíbrio ambiental.

Quanto ao México, diz o documento, a chegada de Obama à Casa Branca representa esperança para os imigrantes oriundos daquele país, que esperam melhores condições de acesso aos serviços de saúde e educação.

Sobre as relações com Cuba, o relatório indica ser importante que "cada passo dado pela nova administração dos Estados Unidos não seja unilateral, e que tenha alguma correlação com determinados gestos democráticos" por parte do governo da ilha.

Na América Central, a Casa Branca deve mirar questões ligadas à imigração e à luta "contra o tráfico de drogas".

Sobre as negociações pela ratificação do Tratado de Livre Comércio assinado com a Colômbia, e que segue parado no Congresso por oposição justamente de parlamentares democratas, o texto afirma que Obama tem interesse em revisar o conteúdo do acordo e certificar-se de que o governo de Bogotá está efetivamente combatendo os problemas de violações dos direitos humanos denunciados no país.

Quanto ao Peru e ao Chile, países com os quais os Estados Unidos também assinaram Tratados de Livre Comércio, a expectativa é de que haja um crescente alinhamento de políticas e um crescimento na cooperação comercial.

Já em relação à Venezuela, país com o qual o atual presidente, George W. Bush, mantém péssimas relações no âmbito político, a expectativa é de que haja uma "transição", que deve estar baseada em quatro grandes eixos: evitar uma "guerra de declarações", estabelecer um diálogo sério ante o combate ao narcotráfico, encarar a luta contra o terrorismo e reorientar a questão do petróleo.

A Argentina, por sua vez, ficará relegada ao segundo plano, afirma o estudo, pois não ocupará uma posição de destaque ou prioridade na diplomacia norte-americana.