Obama divulgará relatório para inocentar equipe sobre caso Blagojevich

Jornal do Brasil

WASHINGTON - O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, que chegou nesta segunda-feira ao Havaí para passar as férias com a família, prometeu divulgar um relatório de investigação sobre o governador de Illinois, Rod Blagojevich, ainda esta semana. Obama assegura que o relatório demonstrará que ninguém de seu entorno manteve contatos indevidos com o governador.

A lei de Illinois concede a Blagojevich a autoridade para nomear um sucessor se um dos dois senadores do estado abandonar a cadeira antes do fim de seu mandato. No entanto, Blagojevich é acusado de tentar vender a cadeira de Obama deixada no Senado. Apesar das acusações, o político já deixou claro que não pretende renunciar ao cargo de governador.

O escândalo já atingiu o chefe de Gabinete de Obama, Rahm Emanuel, que segundo a polícia federal americana (FBI) teria conversado com o governador sobre possíveis ocupantes da cobiçada cadeira. Espera-se que o conteúdo do relatório preparado por Obama isente Emanuel de culpa.

A divulgação do relatório se apresenta, inicialmente, como a única interrupção das férias de Obama, que no entanto, seguirá preparando a transição. Durante sua estadia na ilha, prevista até dia 1º de janeiro, não estão agendados comparecimentos públicos.

O presidente eleito manterá apenas as sessões informativas dos serviços de inteligência que recebe diariamente, e dedicará também parte do tempo a preparar o discurso que pronunciará em sua posse, em 20 de janeiro.

Envolvimento

O empresário Raghuveer P. Nayak, que supostamente teria ajudado o deputado democrata Jesse Jackson Jr. a se candidatar à cadeira de Obama no Senado de Illinois dentro do esquema de corrupção de Blagojevich, decidiu ajudar nas investigações em troca de imunidade no processo, segundo divulgou nesta segunda o jornal da Califórnia, The Los Angeles Times.

Segundo investigações preliminares orquestradas pelo FBI, o empresário e político Nayak teria negociado cerca de US$ 1 milhão para estimular a escolha de Jackson como Senador por Illinois.

Jesse Jackson Jr. é filho do reverendo e ativista político Jesse Jackson, pré-candidato à Presidência dos EUA em 1984 e em 1988. No momento da divulgação do escândalo, Jackson negou conhecimento das negociações.

Mas segundo o jornal, existem provas concretas de ligações entre Nayak e Jackson no dia 31 de outubro em que discutiram sua nomeação à cadeira do presidente-eleito, dias antes de Blagojevich ser preso. O advogado de Jackson criticou nesta segunda-feira a atitude do empresário em colaborar com as investigações em troca de imunidade.

De acordo com informações obtidas por fontes do jornal, Nayak e a mulher doaram na última década cerca de US$ 779 mil em campanhas de candidatos democratas e republicanos. O advogado do empresário afirmou que isso mostra que Nayak é apenas um bom homem honesto e um empresário e interessado por política .

Embora o escândalo tenha sido um banho de água fria na satisfação democrata com a vitória de Obama, a equipe de transição do presidente-eleito afirmou nesta segunda ter recebido mais de 300 mil currículos de interessados em trabalhar na futura Casa Branca, um número que que segundo membros do partido, será recorde histórico. Segundo informou a rede de TV americana CNN, o número de interessados já é equivalente a população da Islândia.

Somente 8 mil vagas serão oferecidas pela Casa Branca. O processo seletivo, a princípio, será feito com base na ficha disponível no site.