Mugabe diz que não há mais cólera no Zimbábue, ONU registra 783 mortos

Agência AFP

GENEBRA - A ONU informou nesta quinta-feira que o balanço de mortos pela epidemia de cólera no Zimbábue subiu para 783 e que existem 16.403 casos suspeitos, pouco depois do presidente Robert Mugabe ter afirmado que a doença já não existe no país.

Segundo Mugabe, os médicos controlaram o foco de cólera, apesar do balanço diário da ONU dizer o contrário.

- Estou feliz em dizer que nossos doutores receberam a ajuda de outros e da Organização Mundial da Saúde. Dessa forma, não há mais cólera - afirmou em um discurso exibido na televisão.

Mugabe também criticou os pedidos de renúncia feitos por Gordon Brown, primeiro-ministro da Grã-Bretanha, antiga potência colonial, e pelo presidente americano George W. Bush.

- Por causa do cólera, Brown quer uma intervenção militar. Bush quer uma intervenção militar pelo cólera. Não há mais motivo para uma guerra. A desculpa do cólera já não existe - disse.

Mas, segundo um comunicado da Agência de Coordenação para Assuntos Humanitários das Nações Unidas em Harare, a capital do Zimbábue, foram declarados até 10 de dezembro um total de 199 mortes e 8.042 casos suspeitos. Também foram assinaladas 90 mortes na localidade de Beitbridge e 78 em Mudzi, ambas na fronteira com a África do Sul e Moçambique.

A África do Sul já declarou a região norte do país, que faz fronteira com o Zimbábue, 'zona de catástrofe' pela propagação da epidemia de cólera.

- O governo provincial decidiu declarar zona de catástrofe toda a região de Vhembe. Isto permitirá driblar a burocracia e responder de modo mais rápido às necessidades acrescentou o porta-voz - afirmou o porta-voz da administração local, Mogale Nchabeleng, que citou o aumento da ajuda financeira.

Milhares de zimbabuanos estão fugindo para os países vizinhos para evitar a epidemia de cólera. A epidemia já afeta a África do Sul, onde oito pessoas, incluindo dois cidadãos sul-africanos, morreram e 664 já receberam atendimento médico, segundo as autoridades. O rio Limpopo, que corta os dois países, foi contaminado pela cólera.

- Estas pessoas vêm enfermas e devem ser tratadas - disse Nchabaleng, antes de destacar que chegada de zimbabuanos representa uma 'pressão para as infra-estruturas médicas'.

- Certamente teremos problemas - completou, antes de afirmar que os doentes devem comparecer o mais rápido possível aos hospitais para receber atendimento médico.

A epidemia de cólera está em expansão desde agosto no Zimbábue, em conseqüência do precário sistema de saúde e da frágil rede de distribuição de água do país.

A crise humanitária se soma ao marasmo econômico e à crise política. O presidente Robert Mugabe e a oposição não conseguem concretizar um acordo para a divisão do poder por divergências sobre a atribuição de pastas ministeriais.