Países localizados em ilhas pedem acordo climático mais duro

REUTERS

POZNAM - Um grupo de 43 países pequenos localizados em ilhas pediu nesta quarta-feira metas mais rígidas para o combate ao aquecimento global do que aquelas cogitadas no encontro da ONU sobre o clima, dizendo que a elevação dos níveis dos mares pode varrê-las do mapa.

- Não estamos preparados para assinar um acordo suicida que pode fazer ilhas-Estado desaparecerem - disse Selwin Hart, de Barbados, coordenador da aliança de pequenas ilhas-Estado, à Reuters no encontro de 187 nações.

A reunião entre os dias 1o e 12 de dezembro em Poznan, na Polônia, analisa o progresso do estágio intermediário de uma iniciativa de dois anos por um novo tratado da ONU que sucederá o Protocolo de Kyoto. Espera-se um acordo em torno do novo tratado até o final de 2009 em Copenhagen.

As 43 nações, incluindo atóis de coral do Oceano Pacífico até o Índico, dizem que o aquecimento global deveria ser limitado a um máximo de 1,5 graus Celsius acima da época pré-industrial, abaixo da meta de 2 graus Celsius da União Européia.

As temperaturas médias subiram cerca de 0,7 graus Celsius no último século e muitos cientistas dizem que mesmo a meta da UE, a mais rígida sendo amplamente cogitada, já pode ser inatingível por causa das crescentes emissões de gases de efeito estufa resultantes da queima de combustíveis fósseis.

Hart disse que é a primeira vez que a aliança estabelece uma meta comum de temperatura. A elevação das temperaturas e dos mares danificaria corais, causaria a erosão das costas, perturbaria o regime de chuvas e aumentaria a incidência de doenças, dizem eles.

Estados baixos, como Tuvalu e Kiribati, dizem correr o risco de ser submersos pela elevação dos mares, já que o aumento das temperaturas poderia derreter o gelo na Groenlândia e na Antártica. A água mais quente também ocupa mais espaço do que a fria, elevando seus níveis.

- Um aumento de 2 graus Celsius comparado com os níveis pré-industriais teria conseqüências devastadoras em pequenas ilhas-Estado em desenvolvimento - dizem as nações em comunicado conjunto.

- Meu país está realmente sofrendo - disse Amjad Abdulla, das Ilhas Maldivas. Ele conta que algumas pessoas ali já vivem em casas parcialmente inundadas.

Bernaditas Muller, das Filipinas, disse que um aumento de 2 graus Celsius varreria um terço do território de seu país. A elevação dos mares também encharcaria as costas de Bangladesh à Flórida. também encharcaria as costas de Bangladesh à Flórida. de cerca de 40 por cento abaixo dos níveis de 1990 até 2020 e mais de 95 por cento até 2050.

Esses cortes são muito mais severos do que aqueles cogitados pelos países industrializados, que enfrentam problemas adicionais para realizar novas reduções devido à crise financeira global.