Israel proíbe colonos de entrar nos bairros palestinos

Agência AFP

TEL AVIV - O exército isralense, acusado de passividade frente aos atos de violência de colonos e ultranacionalistas que se opõe a uma ordem judicial para evacuar um prédio na cidade de palestina de Hebron, decretou que esse setor é "zona militar fechada". Desde segunda-feira, 20 palestinos e 18 israelenses ficaram feridos em enfrentamentos a pedradas no sul da Cisjordânia ocupada.

O chefe do governo de transição israelense, Ehud Olmert, e o presidente Shimon Peres condenaram a violência dos colonos israelenses e defenderam a decisão judicial.

- O desejo de deixar o selo da presença judia numa de nossas cidades mais sagradas (Hebron) é perfeitamente compreensível, mas não pode ser mais forte que a decisão do Supremo Tribunal - declarou Olmert.

- O que ocorre hoje em Hebron causa um grande dano ao Estado. Quem joga uma pedra contra um soldado ataca o Estado e isso não pode ser tolerado - afirmou Peres, que se encontra com Olmert no kibutz de Sdeh Boker, no deserto do Neguev, onde está enterado David Ben Gurion, primeiro chefe de Governo israelense, por ocasião do 35º aniversários de sua morte.

Os ultranacionalistas israelenses, em sua maioria jovens, se opõem a uma ordem de expulsão emitida pelo Supremo Tribunal israelense de uma construção de Hebron.

A propriedade do prédio, de quatro andares, é alvo de um legítigio entre um empresário judeu americano, Morris Abraham, que dispõe de uma opção de compra, e um palestino, que nega a venda.

- O setor da casa foi decretado ''zona militar fechada'' e foi proibido aos israelenses que entrem nos bairros palestinos da cidade - declarou um porta-voz militar.

Como reforço, enviaram ao setor unidades da guarda de fronteira, mais adaptadas às tarefas de manutenção da ordem.Na madrugada de terça-feira, grupos de jovens colonos, apoiados por simpatizantes ultranacionalistas procedentes de Israel, jogaram pedras durante horas contra casas palestinas e contra veículos da polícia e dos guardas de fronteiras.

Também queimaram automóveis, furaram pneus e quebraram vidros das janelas das casas próximas. Supostos colonos extremistas também quebraram lápides de um cemitério muçulmano da cidade.

O exército tenta assim acalmar os temores da população palestina frente à multiplicação de provocações de extremistas israelenses e o laxismo das autoridades.

O chefe da administração mililtar da Cisjordânia, general de brigada Yoav Mordeha¯, denunciou firmemente os atos criminosos dos cololonsi, prometendo à população palestina garantir sua proteção.

Uma fonte militar, citada pelo jornal israelense Yedioth Aharonoth, acusou, por sua parte, a extrema-direita israelense de querer provocar uma guerra de religiões entre judeus e muçulmanos.