Mercosul: Paraguai diz que integração não vai além dos acordos

Agência ANSA

ASSUNÇÃO - O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, criticou a distância entre o discurso sobre integração latino-americana, presente nas cúpulas presidenciais, e a realidade de incidentes e empecilhos fronteiriços na região.

- Não pode haver integração nas cúpulas presidenciais e fronteiras pouco amáveis na superfície, onde acontece a vida real - declarou Lugo, referindo-se a incidentes fronteiriços com o exército brasileiro.

Em novembro, o governo paraguaio apresentou um protesto formal contra os exercícios militares do Brasil na fronteira comum. Em uma delas, forças brasileiras entraram 30 metros dentro de território paraguaio.

Os setores econômicos das localidades fronteiriças também protestam contra as manobras, alegando que tais movimentos acabam "espantando" os turistas brasileiros que vão à região para fazer compras.

Na fronteira com a Argentina, é comum que produtos paraguaios encontrem barreiras para serem exportados, na maior parte das vezes sob alegação de controle sanitário.

- É nessas fronteiras que acontece o dia-a-dia dos homens de negócio e trabalhadores, que precisam de alta eficiência e agilidade nos seus trâmites comerciais - destacou o presidente paraguaio.

Lugo acrescentou que o foco da integração deve estar no cidadão.

- Essa é sempre será a bandeira do Paraguai, em todos os fóruns internacionais - afirmou o ex-bispo. - Avançaremos com firmeza para um Mercosul que tenha humanidade e sentido social, e não para o Mercosul da leitura de acordos e tratados.

Na próxima cúpula do bloco, agendada para 15 e 16 de dezembro, na Bahia, o Paraguai receberá a presidência de turno da organização.

O vice-ministro das Relações Econômicas Internacionais e Integração da Chancelaria paraguaia, Oscar Rodríguez Campuzano, adiantou que nessa ocasião o governo de seu país pedirá avanços no Código Aduaneiro, no cumprimento do livre comércio e destacará a necessidade de enfrentar com eficiência os problemas e necessidades do âmbito social.

Segundo ele, o Paraguai também vai propor um programa conjunto para enfrentar a crise financeira internacional e exigirá maior voz nas decisões do grupo.