Júri considera inocente a chefe da operação que matou Jean Charles

Agência ANSA

LONDRES - Os 11 membros do júri que analisam a causa da morte do brasileiro Jean Charles de Menezes não poderão considerar como veredicto o assassinato ilegal, de acordo com o juiz que coordena o caso, Michael Wright.

De acordo com o magistrado britânico, após análise de todas as evidências, um veredicto por assassinato ilegal "não se justifica".

Jean Charles, de 27 anos, foi morto a tiros na estação Stockwell do metrô, no sul de Londres, depois de ter sido supostamente confundido com um terrorista suicida dos frustrados atentados à bomba em 21 de julho de 2005, na capital inglesa.

O magistrado pediu aos membros do júri que não considerem faltas criminais ou civis para os indivíduos acusados da morte de Jean Charles.

Wright ainda se referiu a Maria Otone de Menezes, mãe do jovem assassinado que assistiu às audiências. - Sei que seus corações estarão com ela - disse Wright ao júri.

- Mas essas reações são emotivas, e vocês têm a responsabilidade de dar um veredicto baseado nas evidências. Deixem de lado as emoções - acrescentou.

O júri ouviu os depoimentos de 100 testemunhas na pesquisa independente que começou no dia 22 de setembro, numa sala especial no estádio de Oval, no sul de Londres.

Em 2007, a Scotland Yard foi multada em 175 mil libras esterlinas (US$ 260 mil) pela morte de Jean Charles, depois de violar leis de segurança e saúde pública, "pondo em risco a segurança da população", segundo o juiz.

Contudo, o júri concluiu que Cressida Dick, a chefe policial encarregada da operação que terminou com a morte do brasileiro, "não teve culpa pessoal" pelo ocorrido.

De acordo com Wright, o veredicto da nova pesquisa não poderia contrariar essa primeira decisão.