Pirâmide de 4.300 anos é descoberta no Egito

Jornal do Brasil

CAIRO - Arqueólogos egípcios resgataram das areias de Saqara, ao sul do Cairo, os restos da pirâmide de uma rainha que fez parte do império faraônico há 4300 anos, informou nesta terça-feira, o chefe do Departamento de Antiguidades do país.

A pirâmide guardava, provavelmente, os restos mortais da rainha Sesheshet, mãe do rei Teti, que governou de 2323 a.C. a 2291 a.C., e que fundou a Sexta Dinastia do Egito.

Segundo Zahi Hawass, secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito, os restos foram localizados no complexo funerário de Saqara, onde também se encontra a famosa pirâmide em escada de Zoser e que fez parte da necrópole de Mênfis.

A única rainha cuja pirâmide não havia sido encontrada é Sesheshet, e é por isso que tenho certeza de que essa pirâmide pertencia a ela disse a autoridade. Isso enriquecerá o nosso conhecimento a respeito do Antigo Reinado completou.

A Sexta Dinastia, uma época de conflitos dentro da família real do Egito e de erosão do poder centralizado, é considerada a última dinastia do Antigo Reinado, depois do qual a região passou por um período de falta de alimentos e de instabilidade social.

Tumba

Arqueólogos haviam descoberto antes, perto dali, as pirâmides pertencentes a duas das mulheres do rei, mas nunca tinham encontrado uma tumba que houvesse sido de Sesheshet.

A construção sem topo, de cerca de cinco metros de altura, chegava originalmente a 14 metros, com laterais de 22 metros de comprimento, e inclinação de 51 graus.

A pirâmide, que seria a 118ª a ser encontrada no Egito, segundo Hawass, havia sido escavada perto da pirâmide mais antiga do mundo, em Saqara, uma área tumular para os antigos imperadores da região.

Essa pode ser a mais completa pirâmide subsidiária a ser encontrada em Saqara afirmou Hawass.

Originalmente, o monumento seria recoberto por pedras calcárias trazidas de uma mina a céu aberto existente em Tura, nas cercanias de Saqara.

Câmara sepulcral

Os arqueólogos pretendem entrar na câmara sepulcral da pirâmide dentro de duas semanas. A maior parte dos objetos presentes ali, no entanto, já deve ter sido roubada, segundo Hawass.

Os peritos localizaram durante as escavações uma capela construída no Império Novo, na qual se conservam restos de escrita faraônica, e uma parte do revestimento da pirâmide.

Alguns artefatos, entre os quais uma estátua de madeira do antigo deus egípcio Anúbis e figuras funerárias de datas posteriores, indicam que o cemitério havia sido reutilizado na época romana, disse a autoridade.