Cuba e Rússia tentam retomar laços com visita de Raúl Castro

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MOSCOU - O presidente de Cuba, Raúl Castro, visitará a Rússia no próximo ano, disse o governo russo na terça-feira, em um sinal de que Moscou tenta restabelecer laços comerciais e militares dos tempos da Guerra Fria.

O governo russo também repetiu seus apelos para que os EUA anulem o embargo econômico imposto à ilha caribenha em 1962, quando Fidel Castro, irmão de Raúl, encontrava-se no poder.

- Esperamos, no próximo ano, receber a visita de Raúl Castro e isso representará mais uma contribuição ao aprofundamento dos laços mútuos - afirmou o presidente russo, Dmitry Medvedev, ao ministro cubano das Relações Exteriores, Felipe Pérez Roque, em Moscou.

- A visita do senhor é também mais um indício de que as relações entre Cuba e a Rússia desenvolvem-se de uma forma bastante dinâmica - disse Medvedev, em imagens transmitidas pelo canal NTV.

O governo russo tenta retomar a aliança da Guerra Fria com Cuba ampliando os laços comerciais e militares.

Esses esforços pretendem, em parte, mostrar o descontentamento da Rússia com os EUA, acusados por Medvedev na semana passada de adotar políticas unilaterais responsáveis por desestabilizar o mundo.

- A cooperação entre a Rússia e Cuba na esfera técnico-militar está avançando normalmente. E qualquer país tem o direito de decidir com quem manterá esse tipo de cooperação - disse Pérez Roque, depois de reunir-se com o ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov.

- Cuba não pedirá permissão de qualquer país e não explicará isso para ninguém. A cooperação entre a Rússia e Cuba nessa área será sempre dirigida a ampliar o poderio de defesa de Cuba - afirmou o chanceler da ilha comunista, que também conversou na segunda-feira com o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin.

Segundo Lavrov, a cooperação militar com Cuba é - um elemento importante de nossa intensa parceria.

Durante a Guerra Fria, o governo soviético tinha na ilha caribenha seu maior beneficiário. No entanto, com o colapso da União Soviética, em 1991, a economia cubana sofreu um duro golpe. As relações entre os dois países esfriaram ao longo da década de 90.

Medvedev disse que Cuba e a Rússia haviam "superado essa pausa" e que os contatos eram agora intensos. Pérez Roque entregou ao presidente russo um convite para visitar o território cubano, afirmou o canal NTV.

No mês passado, um número recorde de países-membros da Organização das Nações Unidas (ONU) pediu que os EUA anulassem as sanções econômicas impostas a Cuba.

Questionado por um repórter sobre se aconselharia o presidente eleito norte-americano, Barack Obama, a cancelar o embargo, Lavrov respondeu: - Esperemos que a voz da comunidade internacional ouvida nas Nações Unidas mais uma vez seja levada em consideração.

O governo russo interessa-se cada vez mais pela América Latina, uma estratégia que analistas de política e diplomatas afirmam ter mais relação com vender armas para a região do que dar demonstrações de força debaixo do nariz dos norte-americanos.