Casa Branca nega troca de favores entre Bush e Obama

Agência ANSA

WASHINGTON - A Casa Branca desmentiu hoje que o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, tenha proposto a seu sucessor eleito, Barack Obama, lançar um pacote de ajuda para a indústria automobilística norte-americana em troca do apoio democrata à ratificação parlamentar do acordo de livre comércio com a Colômbia.

- De nenhuma maneira o presidente sugeriu a possibilidade de um toma lá dá cá - assegurou a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino.

O New York Times citou em sua edição de hoje "fontes próximas" à reunião de segunda-feira entre Bush e Obama na Casa Branca, segundo as quais ambos dirigentes haviam discutido a possibilidade de negociação.

Segundo Perino, Bush e Obama "conversaram sobre uma gama de assuntos, tanto domésticos como internacionais, e passaram parte do tempo falando da economia".

No entanto, destacou a porta-voz, "de maneira alguma o presidente Bush disse que existe a possibilidade de um toma lá dá cá no que se refere ao acordo de livre comércio com a Colômbia" e com outros países.

O tratado com a Colômbia foi assinado em novembro de 2006, mas a oposição democrata no Congresso vem bloqueando sua ratificação enquanto pede mais respeito com os direitos humanos por parte do governo de Bogotá.

Em particular, os democratas apontam contra a violência que sofrem os sindicalistas colombianos.

A negativa em ratificar o tratado de livre comércio responde também à pressão dos sindicatos norte-americanos, que representam uma importante porção da base eleitoral democrata e acusam os acordos de livre comércio de alavancar o desemprego nos Estados Unidos.

Bush pediu ao Congresso nos últimos dias que ratifique os tratados de livre comércio com a Colômbia, Panamá e Coréia do Norte.

Segundo as fontes citadas pelo New York Times, Bush teria oferecido a Obama ampliar o alcance das ajudas financeiras governamentais para as indústrias automobilísticas -- que estão sofrendo duramente com os efeitos da crise econômica -- em troca do fim do bloqueio parlamentar democrata aos acordos de livre comércio.