Baixos preços do petróleo ameaçam futuro de Hugo Chávez

Jornal do Brasil

BOGOTÁ - A queda vertiginosa dos preços do petróleo iniciou um debate acalorado na Venezuela quanto ao possível efeito sobre sua economia dependente do combustível e o futuro político do presidente esquerdista, Hugo Chávez.

Maior exportadora de petróleo no hemisfério ocidental, a Venezuela é particularmente vulnerável aos preços oscilantes do recurso. Mais de 90% de sua receita de exportação depende da extração do petróleo.

O ex-dirigente do banco central venezuelano, Domingo Maza Zavala, acredita que uma queda abaixo de US$ 70 o barril significaria que o atual nível de atividade econômica não poderia ser mantido.

Estamos à beira de um precipício e devemos nos preparar para contingências disse Maza Zavala.

Analistas apontam, no entanto, que o principal fator é a média de preços durante vários meses e não o valor do barril em um só dia.

Não há chance de um colapso econômico este ano contou Jose Manuel Puente, do Centro de Políticas Públicas, em Caracas. Mesmo que os preços continuem baixos durante o restante do ano, a média para 2008 permanecerá em cerca de US$ 95 o barril.

Porém, mesmo que o horizonte pareça sólido à curto prazo, o próximo ano pode ser diferente se o barril do petróleo permanecer constantemente abaixo de US$ 60, afirmam analistas.

Tudo está ligado ao boom do petróleo disse Puente. Se o preço continuar a cair, o país será simplesmente incapaz de continuar a importar bens para satisfazer uma demanda crescente, manter a taxa de câmbio, a expansão da política fiscal e preservar esta harmonia ilusória.

O café, por exemplo, já desapareceu de muitos supermercados venezuelanos, ressaltando problemas econômicos enfrentados pelo país antes das eleições locais e regionais do dia 23 de novembro, quando políticos aliados ao presidente Hugo Chávez podem perder cargos importantes.

Advertência

Chávez com sua belicosidade crescente advertiu que poderá levar tanques às ruas se integrantes correligionários de seu Partido Socialista perderem as eleições municipais no próximo mês.

Se deixarem a oligarquia voltar ao governo talvez eu tenha que enviar os tanques da brigada armada para defender o governo da revolução havia ameaçado.

Um contingente militar foi colocado nesta terça-feira o aeroporto de Carúpano, cidade na região leste da Venezuela, em meio a desentendimentos entre o governador do estado de Sucre, Ramón Martínez, e o governo federal.

O prefeito de Carúpano, José Regnault, disse que Chávez deu a ordem após acusar o governador de impedir a instalação de escritório da estatal petrolífera PDVSA.