Peru e Universidade Yale disputam relíquias incas

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LIMA - O governo do Peru anunciou na segunda-feira a abertura de um processo judicial contra a Universidade Yale (EUA) para recuperar artefatos retirados há cerca de cem anos de Machu Picchu, principal atração turística do país.

O Peru diz que Yale possui mais de 40 mil peças, numa preciosa mistura de cerâmica, joalheria e ossadas retiradas pelo pesquisador Hiram Bingham, que era ligado a Yale e redescobriu a cidadela inca de Machu Picchu em 1911.

Em nota, a Universidade Yale, uma das mais prestigiosas dos EUA, lamentou a decisão do Peru de tentar retirar 'material arqueológico legalmente escavado por Hiram Bingham 3o há quase cem anos'.

Em março, uma delegação do Instituto Nacional de Cultura do Peru viajou a New Haven (Connecticut), onde fica a sede da Yale, para realizar um inventário das peças, como parte de um acordo para produzir réplicas.

Ainda em setembro, representantes de Yale e da chancelaria peruana conversaram sobre a finalização do acordo, mas aparentemente Lima cansou de esperar.O Peru diz que os objetos escavados por Bingham foram emprestados a Yale por 18 meses e simplesmente deixaram de ser devolvidos.

Na época, Machu Picchu estava esquecida, coberta por uma densa mata, numa parte dos Andes que fica 2.430 metros acima do nível do mar.

- Yale continua acreditando que um acordo pode ser alcançado para atender às necessidades das partes e ao amplo interesse público relativo à conservação da coleção e sua acessibilidade, segurança e disponibilidade para o estudo acadêmico - disse a escola.

O Peru tem centenas de sítios arqueológicos, e há anos tenta combater o tráfico de fósseis e artefatos.Museus de todo o mundo enfrentam ações de países como Peru, Grécia e Egito para que peças sejam devolvidas.