Na casa Branca, Bush e Obama começam a transição

Jornal do Brasil

WASHINGTON - Começou nesta segunda a história do futuro presidente dos EUA, Barack Obama, na Casa Branca, ao ser recebido por seu atual inquilino, George Bush. Os dois discutiram no Salão Oval a transição de governo nos EUA por cerca de 90 minutos enquanto a primeira-dama, Laura Bush, mostrava para a futura, Michelle Obama, as dependências da mansão, onde o próximo casal morará a partir de janeiro com as filhas, Malia e Sasha.

Embora a campanha de Obama tenha feito repetidos ataques às "políticas fracassadas" de Bush, e chegou a dizer que o republicano teria muito que explicar por seus oito anos de governo, não havia sinais de ressentimento republicano.

O conteúdo da conversa foi privado, embora Bush tenha antecipado na semana passada que falaria com Obama sobre a crise econômica, as tropas americanas no Iraque e Afeganistão e a cúpula financeira do G-20 que reúne os países emergentes e desenvolvidos.

Garantir que essa transição ocorra sem falhas é uma prioridade importante no tempo que me resta no gabinete disse Bush no sábado, em seu discurso semanal.

Resquícios

Obama foi eleito presidente com a plataforma de levar a mudança para Washington, mas terá de trabalhar com três grandes nomes do governo impopular de George Bush.

O legado de Bush inclui Ben S. Bernanke, presidente do Federal Reserve (Banco Central americano) e ex-presidente do Conselho de Assessores Econômicos de Bush, Michael Mullen, diretor da Junta de Chefes do Estado-Maior, e Robert S. Mueller, diretor do FBI e figura central da política de combate ao terror de Bush.

Ordens anuladas

Os assessores para a transição do governo Obama já possuem uma lista com cerca de 200 ordens executivas do presidente George Bush que podem ser anuladas, entre elas sobre pesquisa com células-tronco, exploração de petróleo e gás e outras questões, segundo apontaram congressistas democratas, e especialistas da equipe de transição.

Em entrevista para redes de tevê e jornais, o chefe da equipe de transição, John Podesta, disse que a futura administração pode usar esta autoridade para agir rapidamente, sem ter de esperar pelo Congresso.

Pelos próximos 71 dias que ainda está no poder, no entanto, o republicano vem tomando decisões que devem complicar as primeiras semanas no cargo do democrata, assinando ordens executivas e novas regulações.