Fidel pode ser entrave às intenções de Obama

Marsílea Gombata, JB Online

RIO - Por quase 50 anos, o governo cubano se mantém com a imagem de antiimperialista e injustiçado por ações e o bloqueio americano à ilha. Mas com a vitória de Barack Obama e a possibilidade de cumprir todas as promessas de maior flexibilidade nas relações com Cuba, o regime de Fidel Castro poderia encontrar dificuldades de sustentar sua posição frente aos cubanos.

Ainda que residentes na ilha estejam esperançosos de que uma nova administração americana vá dar fim ao bloqueio econômico, e até mesmo melhorar suas vidas, o que, na prática, representa para os cubanos a chegada de Barack Obama à Casa Branca?

O que há sinalizado no sentido de mudanças é que, já em um primeiro momento, Obama vai permitir mais viagens entre os países e o envio de dólares à ilha prevê Cristina Pecequillo, especialista em política americana da Unesp. Mas as medidas, num primeiro momento, tendem a ser tímidas, já que não quer perder o lobby dos cubano-amerianos, concentrados na Flórida que o elegeu, contrários a dar facilidades para o regime de Castro.

Sob a bandeira de uma nova estratégia, o novo presidente havia prometido durante a campanha suspender as restrições de viagens e envio de remessas à ilha pelos cubano-americanos. A expectativa é, portanto, grande.

Nos últimos anos, os EUA não deram vistos para professores cubanos entrarem e, muito menos, para estudantes irem para Cuba lembra Uva De Aragon, do Instituto de Pesquisas sobre Cuba, da Universidade Internacional da Flórida. Espero que isso melhore e tenhamos maior intercâmbio cultural.

Qualquer mudança que seja feita nas relações bilaterais com a ilha, no entanto, depende fundamentalmente da aprovação do Congresso, onde nem todos são a favor de mudanças radicais.

O próprio fim do bloqueio econômico à ilha, por exemplo, não deve ocorrer tão cedo:

O embargo é a carta que os americanos têm para forçar mudança política em Cuba analisa Williams Gonçalves, da UFF. Se retirarem-no, não terão instrumento para pressionar o regime comunista.

Empecilho

Para Carlos Saladrigas, co-presidente do Grupo de Estudos sobre Cuba, em Washington, o maior entrave ao fim do bloqueio é o próprio governo cubano:

Não estou certo de que os líderes locais queiram o fim do embargo comenta. É útil ao regime e dá justificativas para a luta contra o imperialismo. Se o embargo acabar, como o governo irá explicar ao povo um sistema que não funciona? Seria uma ameaça.

A equipe de assessores de Obama prepara uma proposta que permitirá presos suspeitos de terrorismo ingressarem nos EUA para serem julgados. O plano, ainda sem detalhes, ajudaria a cumprir a promessa de fechar a prisão de Guantánamo, classificada anteriormente por Obama como um "capítulo triste da História americana".

Fechar é uma das promessas, que ele deveria cumprir logo, pois grupos de direitos humanos, integrantes do partido e parte do eleitorado irão cobrar lembra Cristina. Mais importante, ainda, é garantir que não se repetirão abusos como ocorridos lá em Abu Ghraib.

Ainda que não signifique o fim da base o que dificilmente o establishment militar consentirá fechar a prisão representa, para Eva, o "fim de um o ciclo de contradição" entre idéia perpetrada e ações dos EUA.