Negros republicanos se queixam de marginalização nos Estados Unidos

Agência AFP

WASHINGTON - Na Universidade Howard, em Washington, onde quase todos os estudantes são negros e apóiam o candidato democrata Barack Obama, os republicanos, em minoria, se sentem marginalizados e são freqüentemente chamados de "loucos" ou de "racistas".

Reginald Darby, 21 anos, estudante de ciências políticas, sabe que partiu o coração de sua mãe quando lhe disse que pretendia votar no candidato republicano à Casa Branca, John McCain. Nos Estados Unidos, 90% da população negra votou no candidato democrata nas últimas eleições presidenciais.

- Obama tem muitas idéias, mas não colocou nenhuma em prática, criticou Darby, vice-presidente do grupo dos estudantes republicanos da universidade, que tem apenas dez membros em um total de 11.000 estudantes.

O presidente do grupo, Cameron Lewis, que estuda as questões afro-americanas, explicou que foi seduzido pelo partido republicano pela - importância que dá ao trabalho e à autonomia.

Ele se diz totalmente oposto à - política social dos democratas, que prega a dependência (às ajudas do governo) e o ciclo de pobreza dentro das minorias, as mulheres e as crianças.

O grupo republicano, encontrado durante um debate no campus, está surpreso e decepcionado com a atitude do partido republicano, que praticamente ignorou a comunidade negra durante a campanha.

- Entrei em contato com a Casa Branca, com outros responsáveis negros do partido republicano, para lhes perguntar quais são suas propostas - para a comunidade negra, relatou Lewis.

- A única resposta que recebi foi: John McCain já falou com a NAACP, a Associação nacional para o progresso dos afro-americanos, lamentou.

Os estudantes republicanos da Universidade Howard ressaltam como os negros são marginalizados no âmbito político, o que não é o caso dos latino-americanos, cortejados pelos dois lados.

Kendra Hill, 20 anos, também integrante do grupo, critica muito as promessas de campanha de Obama, focalizadas na classe média.

- A classe média americana típica não é negra, é branca. A maioria dos negros ganha menos que 30.000 dólares por ano, afirma Hill.

Para ela, muitos negros estão convencidos de que Obama vai melhorar a situação deles unicamente por ser negro.

Timothy Jenkins, um ex-estudante da Universidade Howard, tem a mesma opinião.

- A questão da pobreza está totalmente ausente do debate. Os problemas da comunidade negra são, portanto, ignorados pelos dois partidos, afirma.

Jenkins, 69 anos, lembra que o partido republicano, que chegou pela primeira vez à Casa Branca com Abraham Lincoln em 1860, tinha como ideal a abolição da escravatura.

- O partido republicano foi construído pelos negros, e começou tentando resolver uma questão crucial para a comunidade negra, destaca.

O ex-estudante conclama os estudantes republicanos a tomarem a iniciativa, preparando por exemplo um programa de propostas políticas para a cidade em benefício do partido republicano.

Porém, eles terão dificuldades para transmitir sua mensagem na Universidade Howard.

- As pessoas lhes dizem: vá embora, você traiu sua raça, lamenta Amal Benett-Judge, 20 anos, responsável pelo grupo dos estudantes democratas.

- Para que os afro-americanos sejam levados a sério, eles devem estar presentes nos dois lados, sentencia.

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