Europeus expressam preferência por Obama e Oriente torce por McCain

Jornal do Brasil

RIO - Dois em cada três latino-americanos não se importam com quem vai ganhar as eleições de amanhã nos Estados Unidos, ou pensam que este não é um assunto importante, revela pesquisa realizada em 18 países. O estudo indica ainda que 29% dos latino-americanos acreditam que uma vitória do democrata Barack Obama será melhor para o continente, enquanto 8% preferem o republicano John McCain.

O resto essencialmente não sabe ou não quer saber: 29% não acreditam que algum dos candidatos representará mudanças substanciais para a América Latina, enquanto 31% não souberam responder.

A pesquisa, do instituto chileno Latinobarômetro, aponta ainda que, para um em cada três latino-americanos, Washington não vai dar mais atenção à região, independentemente de quem ganhar.

A grande conclusão dessa sondagem, acredito, é que os Estados Unidos estão perdendo poder na América Latina apontou Marta Lagos, diretora do Latinobarometro.

Quanto a qual candidato seria melhor para a América Latina, Obama teve o maior apoio na República Dominicana, com 52%, seguido pela Costa Rica, com 43%, e por Brasil e Uruguai, com 41%. Na Argentina, vence com 36%.

McCain é mais forte na Colômbia, onde 19% acreditam que ele pode ser melhor para o continente, e em El Salvador, onde arrebata 16% dos entrevistados.

Cautela no Oriente

Enquanto a América Latina guarda com indiferença as votações nos Estados Unidos, na Ásia Oriental o clima é de cautela. O continente receia que a eleição de Obama suscite tensões comerciais, apesar da simpatia que o democrata desperta em grande parte do mundo.

E, mesmo com a impopularidade que o ainda presidente George Bush sofre em casa e no estrangeiro, os governos e círculos de negócios do Japão, da Coréia do Sul e até da China têm elogiado suas convicções em matéria de livre-comércio e, exatamente por isso, questionam-se a respeito de Obama.

Na semana passada, Pequim lamentou-se depois que o candidato democrata acusou a China de manipular sua taxa de câmbio para aumentar o seu enorme excedente comercial. Ao contrário do candidato republicano John McCain, Obama se opõe ao acordo de livre-comércio entre Washington e Seul.

A inclinação protecionista dos democratas se ampliou com a crise econômica atual. Se Obama for mesmo eleito, as tensões comerciais entre Estados Unidos e Coréia do Sul se intensificarão afirmou Lee Si-Wook, do Instituto de Desenvolvimento da Coréia.

No Japão, alguns dirigentes recordam com amargura o mandato do presidente democrata Bill Clinton, que obrigou a segunda economia do mundo a abrir seu mercado aos produtos americanos, apesar de encontrar-se em plena recessão.

Entusiasmo na Europa

Já na Europa, a reação diante das pesquisas que indicam Obama como o novo presidente americano é de entusiasmo. O continente está ansioso para ver o fim da era George W. Bush, e esperançoso de que o vencedor da eleição de amanhã irá revitalizar os laços transatlânticos, que sofreram duras derrotas ao longo dos últimos oito anos.

De uma forma geral, uma pesquisa divulgada recentemente pela Pew Global Attitudes Project 2008 indica que Obama é mesmo o mais querido no continente. Em alguns lugares, com extensa vantagem: na Alemanha, por exemplo, 82% dos entrevistados têm confiança em Obama, enquanto apenas 33% preferem McCain.

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