Novo presidente dos EUA vai enfrentar depreciação de poder do país

Osmar Freitas Jr, Jornal do Brasil

NOVA YORK - Os Estados Unidos estão em declínio. O próximo presidente americano seja John McCain ou Barack Obama governará uma nação com enorme depreciação de seu poder. Este é o senso comum entre gente que inclui da esquerda do espectro político, até setores da direita, amigos e inimigos de Washington.

Desde os analistas como o moderado Fareed Zakaria da revista Newsweek até o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad. Esta morte ou enfermidade anunciada, porém, não é nova e já foi desmentida no passado.

Parece que a cada 10 anos a moda do declínio americano ganha fôlego diz Robert Kagan, analista do Carnegie Endowment of International Peace.

No final dos anos 70 o establishment da política externa usou aquilo que Cyrus Vance chamou de 'limites de nosso poder' para prever um enfraquecimento. No fim dos anos 80, o acadêmico Paul Kennedy previu o colapso eminente da América por causa de uma suposta 'estricção do imperialismo'. Na rabeira dos anos 90, Samuel Huntington alertou contra o isolacionismo americano traduzido como 'a superpotência solitária'. Agora vem o chamado 'mundo pós-americano'. Em todos estes momentos as profecias não se cumpriram.

Mas até ele concorda que, com John McCain ou Barack Obama, a chamada Doutrina Bush estará morta. Esta plataforma de política externa, colocada no papel por assessores neoconservadores da administração George Bush, pregava o direito americano em assegurar-se agressivamente contra grupos políticos terroristas, ou nações que os abrigavam, mesmo que estes ainda não houvessem atacado.

Veio daí o conceito de guerra preventiva que levou à invasão do Iraque. No segundo mandato do atual presidente, esta linha de ação foi colocada na reserva, sendo usada apenas esporadicamente como no ataque a um refúgio terrorista em território sírio, no último dia 26.

A consulta a aliados e o trabalho conjunto com outras potências, como a Rússia e a China, especificamente nos casos do Irã e da Coréia do Norte, substituiu a idéia vocalizada por Bush de que 'Ou se está com os Estados Unidos, ou se está contra ele' diz o senador democrata por Massachusetts, John Kerry, um dos cotados para o posto de Secretário de Estado na administração Obama.

Voltaram a ser usados os canais diplomáticos, no lugar do atira primeiro e depois pergunta. O próximo presidente seguirá ainda mais esta linha.

Os arautos do declínio dos Estados Unidos parecem levar muito a sério a idéia de que existe um destino manifesto do país. Trata-se de dogma da política externa americana desde quando os democratas jacksonianos (do presidente Andrew Jackson) implementaram, em meados dos anos 1800, uma plataforma de conquista de território a oeste da União.

Depois, seus sucessores expandiram a mesma ação ao nível internacional, marcadamente com a Guerra Américo-Espanhola (1898).

As implantações de protetorados em ex-colônias espanholas como as Filipinas, Porto Rico e Cuba, por exemplo deram início oficial ao que seria entendido como ímperialismo americano .

O próximo presidente sabe, apesar dos discursos agressivos de McCain em campanha, que o país não consegue impor sua vontade em todo lugar e em qualquer situação. É preciso trabalhar diplomaticamente para se alcançar objetivos diz Warren Christopher, ex-Secretário de Estado do governo Clinton.

Claro que ainda valerá a política do ex-presidente Teddy Roosevelt que recomendava falar manso, mas carregar um grande porrete. Os EUA ainda vão operar na mesa de negociações tendo à mão a ameaça de ação militar. O que não deve ocorrer, pois não dá certo, é tentar impor apenas à força os interesses do país.

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