Provocações entre Coréias remetem à Guerra Fria

Portal Terra

SÃO PAULO - O último capítulo de uma longa história de estranhamento entre as Coréias do norte e do sul foi a resposta do governo do norte à propaganda anticomunista feita por grupos sul-coreanos em panfletos. Com a sutileza característica do regime de Kim Jong-Il, os norte-coreanos ameaçaram 'reduzir a cinzas' o país vizinho, e estabelecer um estado 'independente e unificado por cima dessas cinzas'.

Mais do que bravatas de um líder que acredita-se estar hospitalizado, a declaração ilustra a difícil relação de dois países que estão, oficialmente, em estado de guerra há 58 anos. A Guerra da Coréia foi o primeiro grande conflito armado da Guerra Fria, que opunha as ideologias capitalista e socialista e, por isso, o aluno que vai prestar vestibular deve conhecê-la, avalia o professor de História do Mottola Pré-Vestibulares Fábio Catani.

- A divisão nasceu dos acordos de paz da Segunda Guerra Mundial, e chegou-se ao conflito armado depois que o regime comunista do norte foi influenciado pela revolução chinesa de 1949 - lembra o professor. Para combater a ampliação da influência comunista na Ásia, os Estados Unidos entraram no conflito em defesa do lado sulista, em 1950, à frente das tropas da Organização das Nações Unidas (ONU).

Se, de um lado, os americanos ameaçavam usar a bomba atômica que devastara Hiroshima e Nagasaki cinco anos antes, a União Soviética oferecia aos norte-coreanos a mesma tecnologia. Nada disso aconteceu - a Coréia do Norte realizou o primeiro teste com armas nucleares apenas em 2006 -, mas as ameaças foram suficientes para carimbar: ali estava desenhada como seria a divisão do mundo, entre as duas potências, nas próximas quatro décadas. Apesar disso, foi a influência chinesa o fiel da balança para a guerra.

- A China interveio a favor da Coréia do Norte, temendo o avanço do capitalismo sobre suas fronteiras. Desde então, o comunismo ao estilo chinês prevaleceu acima do paralelo 38 (que divide as duas coréias) - conta Catani. Em 1953, a guerra chegou ao fim justamente com o compromisso norte-americano de não invasão da China - apesar disso, um armistício oficial nunca foi firmado entre Coréia do Norte e do Sul.

A despeito das declarações da semana passada e do constante conflito, é preciso atentar para o fato de que as relações entre os coreanos capitalistas e comunistas nunca foram tão boas. A tendência de reaproximação dos últimos anos culminou com acordos de respeito mútuo, em 2007, lembra o professor. A próxima interrogação fica por conta da sucessão de Kim Jong Il no poder: o esquisito comandante comunista estaria à beira da morte.

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