Itália: possíveis sucessores de Berlusconi elogiam regime de Mussolini

Steve Scherer, Jornal do Brasil

ROMA - Gianfranco Fini, líder do partido Aliança Nacional, vem tentando se posicionar como próximo primeiro-ministro da Itália, renunciando seu passado neofascista. Enquanto isso, os três principais rivais de Fini na corrida pelo trono de Silvio Berlusconi estão apostando na estratégia oposta ao conclamar os benefícios do regime.

O fascismo criou importantes programas sociais observou o ex-ministro da Saúde, Francesco Storace.

A recusa de Berlusconi de nomear um herdeiro vem alimentando uma disputa entre os direitistas mais populares e ambiciosos do país. Entre eles, Gianni Alemanno, atual prefeito de Roma, que no dia 7 de setembro disse não acreditar que a ideologia do fascismo seja um mal absoluto , e o ministro da Defesa, Ignazio La Russa, que no dia seguinte homenageou soldados italianos que lutaram com a Alemanha nazista entre 1943 e 1945. Ambos são membros do partido de Fini.

Entre alguns italianos, ainda há nostalgia pelo fascismo afirmou Maurizio Pessato, chefe executivo da companhia de pesquisas SWG. E a classe política ainda comete o erro de não deixar o passado para trás.

Storace, Alemanno e La Russa visam a recorrer a memória italiana do ditador fascista, Benito Mussolini, que embora tenha aliado a Itália a Alemanha de Adolf Hitler e deportado judeus a campos de concentrações nazistas, também gerou empregos, construiu estradas, drenou pântanos e aprimorou a pontualidade das ferrovias.

Os três políticos dizem acreditar na democracia e denunciar o totalitarismo e o racismo ao mesmo tempo em que abraçam a ordem e os gastos sociais de Mussolini.

Alguns italianos vão ainda mais longe. As ruelas embaixo dos viadutos de Roma e Milão, as maiores cidades do país, são regularmente pixadas com suásticas e slogans racistas por gangues de jovens, e a saudação fascista é vista com freqüência nos estádios de futebol da Itália. Berlusconi, de 72 anos, disse nesta sexta-feira que gostaria de criminalizar a pixação nas paredes e prédios públicos.

Entre 2 mil italianos entrevistados anualmente desde 2002, 1/4 freqüentemente afirma ver elementos positivos no fascismo, de acordo com uma pesquisa da SWG. Dois terços dos participantes dizem que o país não deveria tentar ignorar seu passado fascista.

Fini, de 56 anos, cuja popularidade estava abaixo apenas para a de Berlusconi em uma pesquisa de outubro, tem pressionado por leis mais severas contra a imigração ilegal, mas também diz que apóia a concessão do direito de voto aos imigrantes ilegais.

Não podemos comparar aqueles que lutaram pelas justas causas de igualdade e liberdade com aqueles que lutaram pela causa errada disse Fini ao movimento pela juventude de seu partido em Roma, no 13 de setembro, cinco dias após La Russa ter louvado soldados que lutaram pela República Social italiana pró-nazista. Os que acreditam na democracia são antifascistas.

Enquanto Fini aposta que o poder pós-Berlusconi será dividido entre dois partidos dominantes, um de direita e outro de esquerda, seus rivais acreditam que na ausência de uma figura polarizante, a política italiana reverterá à velha confusão dos múltiplos partidos um sistema que impulsionou a Itália a experimentar 62 governos nos últimos 63 anos.

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