General japonês é demitido por texto sobre Segunda Guerra

REUTERS

TÓQUIO - O Ministério da Defesa do Japão anunciou nesta sexta-feira que vai demitir o comandante da Força Aérea do país por ele ter dito que o Japão foi uma vítima dos Estados Unidos na 2a Guerra Mundial, e não um agressor de países asiáticos durante o conflito.

O texto do general Toshio Tamogami, publicado em uma página da Internet, pode provocar ira na China e na Coréia do Sul, onde as memórias da guerra e da colonização japonesa ainda são profundas.

- Eu acredito que é impróprio que o chefe da força aérea demonstre uma visão claramente diferente da visão do governo. Por essa razão, é inapropriado para ele se manter em sua posição e eu vou demiti-lo - disse o ministro da Defesa, Yasukazu Hamada, a jornalistas.

Em 1995, o Japão expressou seu remorso pelos atos de guerra, e voltou a se desculpar novamente uma década depois.Uma reportagem da agência de notícias japonesa Kyodo citou o primeiro-ministro do país, Taro Aso, dizendo que o texto, no qual o general nega que o Japão tenha sido o agressor da China, foi inapropriado.

Impasses pela história da guerra geralmente estremecem as relações entre Pequim e Seul, embora a relação com a China tenha se estreitado nos últimos dois anos de ambos lados por conta da prioridade de aprofundar o comércio e o investimento.

- Mesmo agora, há muitas pessoas que pensam que as agressões do nosso país causaram um sofrimento intolerável para os países da Ásia durante a Guerra da Ásia Oriental - escreveu Tamogami no texto, publicado em inglês e japonês.

- No entanto, nós precisamos reconhecer que muitos países asiáticos adotaram uma visão positiva da Guerra da Ásia. Isto é certamente uma acusação falsa para dizer que nosso país foi um agressor - disse ele.

Tamogami disse ainda no texto que as ações militares do Japão na China foram baseadas em um tratado, e que a colonização japonesa na península sul-coreana de 1910 a 1945 'foi próspera e segura'.

Tamogami também rejeitou o veredicto de um tribunal aliado que condenou os líderes militares do Japão por crimes de guerra, após a derrota de Tóquio em 1945.

Visões semelhantes são compartilhadas por alguns estudiosos e políticos japoneses de direita. Mas governos japoneses sucessivos, incluindo o de Aso, tem defendido um marco de desculpas para as pessoas, principalmente na Ásia, que sofreram sob as regras de colonização do Japão.

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